sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

As ervas mais formosas eram as daninhas

"Afinal, as ervas mais formosas eram / as daninhas" (JMS)

Sem formosura, ocupam o lugar; repetem conhecidas formas, as suas palavras nada revelam, nada oferecem, nada criam. Tristes, todos, na clausura dos abastados canteiros limpos, dizem-se portadores do novo e do vivo.  

Onde a juventude extasiada? Onde a rebeldia? Onde a palavra viva, aguçada como a navalha,  terna como a noite? Onde a palavra inesperada, subitamente criando ninho?

Em lado nenhum. Nem ervas daninhas, nem flores semeadas, só ramalhetes de plástico, comprados nas últimas promoções do hipermercado.

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