sexta-feira, 22 de abril de 2011

Mulheres que lêem são perigosas

Eve Arnold, Marilyn lendo Ulisses, 1952

Deparei-me, no Facebook, com este interessante texto sobre as mulheres e a leitura: "Namora uma rapariga que lê". Recordei-me, então, de um livro lido há tempos - Stefan Bollmann, Mulheres que Lêem são Perigosas, Quetzal Editores (constituído por prefácio de Elke Heidenreich  - "Pequenas moscas!" -, introdução de Stefan Bollmann - "Mulheres que lêem" - e vários retratos de leitoras, seguidos de um texto de uma página). Já nessa altura me interroguei sobre as implicações do adjectivo "perigosas": Que perigo carregam? Contra quem? O que têm de assinalável estas mulheres? O que as instituí como grupo?
Em qualquer dos textos, livro e entrada de blogue, se reconhece a importância da leitura para a liberdade e para a constituição de uma identidade singular. Residirá nessa possibilidade de aceder a um "lugar que seja seu" o estranhamento de uma mulher leitora? Estará o perigo na evidência da liberdade individual, construída no recolhimento e, simultaneamente, na abertura ao Outro, implicados no acto de ler?  
Tantas interrogações. Afigura-se-me que tanto a leitura como os seus cultores partilham de um qualquer mistério perturbador. Quando qualificam uma parte desses amantes da palavra como "perigosa" - mulheres que lêem são perigosas -, estarão a evocar antigos mitos femininos, atraentes ou repulsivos, ambivalentes sempre? Afinal, parece que esse ancestral feminino ainda persiste, com os seus contornos de milénios, a acordar medos, a chamar seduções. (Será?!...)

Sem comentários:

Enviar um comentário