sábado, 14 de maio de 2011

Poesia na Tarde

Pelo Jardim Gulbenkian: famílias, em passeio, adolescentes, crianças tranquilas, adultos novos, de meia-idade ou já velhos, jovens na relva, leitores no anfiteatro, em baixo, actores de improviso, turistas rosados, deambulando, os patos, tantos, sombras, bancos e mesas de pedra, água fresquinha e rumorosa. Ela passeia também, bebendo a placidez do lugar e saudando fauna e flora, a amizade. A poesia do dia.

Oferece ao tempo estas palavras luminosas de Luiza Neto Jorge:

Dos felinos

Nenhum vocábulo detém o gato
e o sublinha, lacónico,
no choro, no cio.

Completo gemido, curvatura, elo.
Despojado, num túnel,
da pele, do pêlo.

Só lhe ganha o homem
ganhando erecção, êxtase,
circulação do sangue
orientada.

Luiza Neto Jorge, poesia, Lisboa, Assírio e Alvim, 2001.

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