quarta-feira, 29 de junho de 2011

Lendas da Índia

Nunca lera Luís Filipe Castro Mendes. O primeiro livro revelou-se numa visita guiada por estantes livreiras, manifestando-se a sua grande qualidade poética logo na primeira leitura, de viés, à sombra de uma simpática esplanada:

     Luís Filipe Castro Mendes, Lendas da Índia, Lisboa, D. Quixote, 2011.


Este livro pede uma leitura demorada, mas isso não impede que aqui se divulgue um poema, encontrado por acaso a páginas tantas, que glosa a escrita na "estratosfera", isto é, no "blog", estranho diário, que se quer simultaneamente público e privado, solidão partilhada e irredutível...


Ei-lo:


QUEM SE EU GRITAR...?


Fecho-me aqui:
um blog é uma estratosfera,
é uma maneira de não pertencer a nenhum mundo,
é uma forma mais de estar sozinho.

É certo que é suposto partilhar:
mas é como se uma mónada do Leibniz
lançasse palavras numa rede de ausências,
para o silêncio das esferas.

Nunca adiamos a solidão.


 Luís Filipe Castro Mendes, Lendas da Índia, Lisboa, D. Quixote, 2011.

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