quinta-feira, 16 de junho de 2011

Prazeres contemplativos

Aos Meninos e Meninas de outrora, e de sempre


Foi este blogue acusado de excesso de peso. Como quem escreve procura a harmonia, a elegância suave, o reparo não lhe foi indiferente. Assim, desvia, por momentos, o olhar da doce lua, para contemplar o sol - recorda este poema de João Miguel Fernandes Jorge, há muitos anos lido em conjunto com queridos Meninos e Meninas: 


SUNBAKER

Nadara longas braçadas e o mar estava
revolto. Veio, sobre a areia,
até onde esta se tornava o domínio do sol.

Deixou-se cair de bruços, lentamente
deixou os membros a maior amplidão.
Respirava. Os cabelos negros

eram uma fina película brilhante e as
gotas de água do mar corriam p'las
espáduas e ombros, p'los graves músculos

dos braços. A cabeça poisava-a sobre
uma das mãos e entrava no invisível
escuro do rosto.

A outra mão descansava à frente, recebia
plena luz as horas nascentes que
prudentemente componho para uma viva,

nova amizade.
E que queres tu? Que vais querer ó novo
amigo, irmão da minha alma futura?

João Miguel Fernandes Jorge, Um Nome Distante, Lisboa, Contexto, 1984.

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