Aos Meninos e Meninas de outrora, e de sempre
Foi este blogue acusado de excesso de peso. Como quem escreve procura a harmonia, a elegância suave, o reparo não lhe foi indiferente. Assim, desvia, por momentos, o olhar da doce lua, para contemplar o sol - recorda este poema de João Miguel Fernandes Jorge, há muitos anos lido em conjunto com queridos Meninos e Meninas:
SUNBAKER
Nadara longas braçadas e o mar estava
revolto. Veio, sobre a areia,
até onde esta se tornava o domínio do sol.
Deixou-se cair de bruços, lentamente
deixou os membros a maior amplidão.
Respirava. Os cabelos negros
eram uma fina película brilhante e as
gotas de água do mar corriam p'las
espáduas e ombros, p'los graves músculos
dos braços. A cabeça poisava-a sobre
uma das mãos e entrava no invisível
escuro do rosto.
A outra mão descansava à frente, recebia
plena luz as horas nascentes que
prudentemente componho para uma viva,
nova amizade.
E que queres tu? Que vais querer ó novo
amigo, irmão da minha alma futura?
João Miguel Fernandes Jorge, Um Nome Distante, Lisboa, Contexto, 1984.
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