quinta-feira, 14 de julho de 2011

pó, tão pó a pó

O que resta dos impérios, históricos, políticos, dos sentidos ou outros... poeira, um fio de memória...

CAMÕES NA ÍNDIA (2)

Penso nele sem acrimónia.
O mundo que o português criou
foi tão mau ou tão bom como o mundo
que o resto da Humanidade foi criando.

Sonharmo-nos Império?
Mas todos os grandes o fizeram:
o Camões, o Vieira, o Pessoa,
até o Cesário, de um certo modo,
nas nossas ruas ao anoitecer...

Só o Pessanha viu ao certo o que finalmente fica de nós:
pedras, conchinhas, pedacinhos de osso...


Luís Filipe Castro Mendes, Lendas da Índia, Lisboa, D. Quixote, 2011.

O título desta entrada vem de um belíssimo poema de Luiza Neto Jorge:

EPITÁFIO

Querida vida,
pobre pó.
Tão pó a pó.
Após, a pó.
Luiza Neto Jorge, A Lume, Lisboa, Assírio & Alvim, 1989.

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