CAMÕES NA ÍNDIA (2)
Penso nele sem acrimónia.
O mundo que o português criou
foi tão mau ou tão bom como o mundo
que o resto da Humanidade foi criando.
Sonharmo-nos Império?
Mas todos os grandes o fizeram:
o Camões, o Vieira, o Pessoa,
até o Cesário, de um certo modo,
nas nossas ruas ao anoitecer...
Só o Pessanha viu ao certo o que finalmente fica de nós:
pedras, conchinhas, pedacinhos de osso...
Luís Filipe Castro Mendes, Lendas da Índia, Lisboa, D. Quixote, 2011.
O título desta entrada vem de um belíssimo poema de Luiza Neto Jorge:
EPITÁFIO
Querida vida,
pobre pó.
Tão pó a pó.
Tão pó a pó.
Após, a pó.
Luiza Neto Jorge, A Lume, Lisboa, Assírio & Alvim, 1989.
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