quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Memories

Cartas, que o tempo levou. Já não se escrevem nem se recebem. Ficou mais curta a intimidade.

Anders Wallace

2 comentários:

  1. Tem e não tem razão, Leitora Subtil.

    Não há cartas em papel, escritas a caneta, à mão, dentro de envelope, com selo e colocadas no marco de correio e isso, a mim, também me traz alguma nostalgia.

    Mas há mails e há esta imensa parede em que milhões de pessoas escrevem para quem as quiser ler.

    E, apesar de ser uma imensa parede visível por todo o mundo, pode até haver mensagens subliminares, apenas perceptíveis por uma determinada pessoa e, aí, a intimidade pode até ganhar um certo gostinho especial.

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  2. Concordo consigo no que respeita ao aparecimento de novos meios de comunicação e às suas imensas possibilidades, mesmo de partilha íntima.
    Todavia, esta abertura não apaga o sentimento de perda. Sempre gostei muito de escrever e ler cartas. Criavam um diálogo arrastado no tempo e feito de palavras escritas e de silêncio, o seu reverso ou a sua profundidade. Depois, tinham uma corporalidade única, que os novos meios não têm; esta presença corpórea não vinha somente da materialidade do papel e da tinta, mas principalmente da letra, única, reveladora do tremor, das hesitações ou da urgência da escrita...
    Nostalgia, sim. Mas sem dor.

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