(Imagem retirada do blogue Espaço Llansol)
"Ali, arde a substância onde Ana está ensinando a ler a Myriam, Ana sentada numa cadeira, com o livro aberto no colo, Myriam de pé, a olhar um dos primeiros textos, "que é um cavalo que vai saltar". Está sendo beijada na boca pelas letras, e inclina a cabeça para trás, pois a seta da clemência atravessou-lhe o vestido. "Quem for clemente, lê". Se a linguagem, segundo diz Ana, for aprendida pela visão, ela, no fim, tirará da estante ardente a chave da leitura, e metê-la-á no bolso de Myriam."
Maria Gabriela Llansol, um beijo dado mais tarde, Lisboa, Rolim,1990.
Foi este o primeiro livro lido. Levou-o consigo para Casa e, desde então, a sua estante guarda um lugar para os livros, ardentes, de Maria Gabriela Llansol.

Eu estou como a Leitora. Maria Gabriela Llansol tem esta escrita que ao princípo se estranha e que eu, armada em macaquinha de imitação, direi que, depois, se entranha.
ResponderEliminarHá qualquer coisa de interior, daquilo que nos aflora ao pensamento mas que muitas vezes não chega a ser posto em palavras, há uma imaginação incomum.
A Clarice Lispector também é um pouco assim, pessoas diferentes, em que as palavras nascem da terra ou do ar, ou lá muito dentro, não sei bem explicar.
Sabe que eu, com a Maria Gabriela, de vez em quando pego num livro e abro à toa e leio uma ou duas páginas. Não me interessa a sequência, bastam-me as palavras em si.
que bonito de tão poético!
ResponderEliminarUm jeito manso - A minha experiência de leitura destes textos também é muito semelhante. Uma "atracção" estética, sem explicações, só uma resposta à beleza da palavra, irrecusável.
ResponderEliminarZoninho - Fico contente por teres gostado!
Que bom partilhar leituras e gostos poéticos! Um abraço aos dois!