domingo, 23 de outubro de 2011

Cavaleiro monge




Há anos, no curso nocturno, uma aluna cantou este poema de Fernando Pessoa; ecoou pela escola toda e, assim, a poesia esteve lá.


Do vale à montanha,
Da montanha  ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Caminhais secretos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por plainos desertos
Sem ter horizontes,
Caminhais libertos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por ínvios caminhos,
Por rios sem ponte,
Caminhais sozinhos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.
                                
                                 Fernando Pessoa

[Ler também o poema de Antero, "O Palácio da Ventura"]

2 comentários:

  1. Deve ter sido um momento mágico, inesquecível, não?

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  2. Sim, foi. É muito gratificante ver como a poesia toca as pessoas.

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