terça-feira, 4 de outubro de 2011

o melhor, enfim

Porque o melhor, enfim,
É não ouvir nem ver...
Passarem sobre mim
E nada me doer!

[...]

Passar o estio, o outono,
A poda, a cava, e a redra,
E eu dormindo um sono
Debaixo duma pedra.

[...]

E eu sob a terra firme,
Compacta, recalcada,
Muito quietinho. A rir-me
De não me doer nada.

Camilo Pessanha, Clepsydra, Lisboa, Relógio d'Água, 1995 (edição crítica de Paulo Franchetti).

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