sábado, 3 de dezembro de 2011

Vozes amadas - da poesia trovadoresca aos cantares populares

O primeiro poema é uma cantiga de amigo, uma das mais belas; as quadras também cantam o amor e os seus perigos, e desafios, pois então!


Sedia-m'eu na ermida de San Simion
e cercaron-mi as ondas, que grandes son:
     eu atendend'o meu amigo,

     eu atendend'o meu amigo!

Estando na ermida ant'o altar,
(e) cercaron-mi as ondas grandes do mar:
      eu atendend'o meu amigo,

      eu atendend'o meu amigo!

E cercaron-mi as ondas, que grandes son,
non ei (i) barqueiro, nen remador:
      eu atendend'o meu amigo,

      eu atendend'o meu amigo!

E cercaron-mi as ondas do alto mar,
non ei (i) barqueiro, nen sei remar:
      eu atendend'o meu amigo,

      eu atendend'o meu amigo!

Non ei i barqueiro, nen remador,
morrerei fremosa no mar maior:

      eu atendend'o meu amigo,
      eu atendend'o meu amigo!
    
Non ei (i) barqueiro, nen sei remar,
morrerei fremosa no alto mar:

      eu atendend'o meu amigo,
      eu atendend'o meu amigo!

Mendinho

Alexandre PInheiro Torres, Antologia da Poesia Trovadoresca Galego-Portuguesa, Porto, Lello & Irmãos Editores, 1987.



Estimo e estimarei,
sentada numa almofada,
a fiar continhas de ouro,
salta cá, minha esposada!


Uma quarta de sabão
pra lavar o coração.
Uma faquinha amarela
para cortar a goela.


O meu amor é José
e eu queria um Joaquim.
Com tanto home no mundo
algum há-de ser pra mim.


(Luísa Dacosta)

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