quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Geografia sentimental

Às voltas com Maria Gabriela Llansol.

- Terminada a leitura de um livro muito esclarecedor sobre a obra de MGLlansol:

João Barrento (org.), Europa em Sobreimpressão: Llansol e as Dobras da História, Lisboa, Assírio e Alvim e Espaço Llansol, 2011.


- Continuação da leitura dos seus diários. Um recorte:

"[...] Mas compreendi, apanhei numa iluminação que a minha escrita não é um efeito, o efeito do meu carácter. Ela existe, ela é a causa, o que antes de mim me dividiu em acidentes de uma geografia sentimental e perceptiva tão total e globalizante na sua ausência de estruturação, que é quase impossível ter por suporte um ser humano.
Não compreendi hoje como consegui viver até aos quarenta e três anos.

Por vezes transformo-me em escrita como os homens se transformam em poeira. Hipótese: não sou dura pelo simples gosto de ser dura; sou dura quando sou lúcida, num lugar percutante da História e da minha história.
Minha história e História. Quem, que ser, terá a percepção do que vivemos hoje? Eu, convosco, ando sempre à procura de fragmentos perdidos."


Maria Gabriela Llansol, Uma Data em Cada Mão: Livro de Horas I, Lisboa, Assírio e Alvim, 2009.

Sem comentários:

Enviar um comentário