terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Nostalgia

Agora mesmo, pela blogosfera, Alpabiblio, D. e a A. A. Ela também chegou em 96/97, e foi amor à primeira vista. Tudo ficou no seu coração, os Meninos, os Mestres, as paredes, um "ar" de liberdade. Veio embora em Julho de 98, mas uma parte de si ficou; ou a memória permaneceu indelével, em todos os novos lugares.

Não pode, contudo, evocar a A. A., sem mencionar também a L. de G., a primeira escola "a sério". Tinha 24 anos, estava em ano probatório, e, pela primeira vez, sozinha. Ela só, com 150 alunos, dois níveis, num ambiente relativamente formal, aparentando o corpo docente uma média de idades de 45 a 50 anos, tão diferentes da sua inocência. Mas a timidez e o constrangimento duraram apenas um instante e esta ficou como a escola inicial, aquela em que para sempre se reconheceu como um certo tipo de professora, qual não sabe bem. Com os Meninos que lá conheceu, partilhou o seu amor pela poesia e a sua crença de que a arte salva; era considerada "exigente", "simples e cândida", "alegre", pasme-se!; trabalhava 14 horas por dia, e ao fim-de-semana, tinha depressões de cada vez que corrigia testes, arrepiava-se sempre que a sintaxe lhe aparecia em contorcionismos. Queixava-se. Os Meninos gostavam dela e ela gostava deles. Acreditava e era feliz.

Eis uma breve resenha dos seus amores docentes. Não guardou retratos; deitou fora as fichas, aquando das grandes mudanças. (Nunca mais guardou nenhuma, até porque passaram de moda, substituídas por grelhas excel.)

3 comentários:

  1. tenho andada com muito pouco tempo e não tenho deixado aqui comentários mas quero que saiba que me mantenho fiel e assídua leitora dos seus textos. E depois de ter escrito lá no meu canto que os professores, de forma geral, me parecem desarticulados entre si, desmotivados, acomodados, gostei muito de ler aqui um testemunho sentido de uma professora altamente empenhada com a sua missão.

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  2. Obrigada pelas suas palavras e pela visita.

    Li o que escreveu sobre os professores. Era outra época, mas por vezes o espelho não é a mais generosa das superfícies, ainda hoje, há que reconhecê-lo.

    Os professores, em geral, estão um pouco perdidos, creio, e esta professora, em particular, cansada.

    Bom resto de semana

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  3. Estive, por estes dias, com a minha prima, professora também, com muita vocação, e que também vi cansada, a achar que o ensino está cada vez mais 'lost in translation'.

    É pena porque o ensino deveria ser a prioridade nº1 deste país.

    Acho que os professores que gostam de ensinar deveriam tomar um pouco a missão nas suas mãos, unirem-se e traçar estratégias concretas para cada grupo de alunos em particular, estabelecerem a si próprios objectivos, motivarem-se em torno de propósitos muito concretos.

    No entanto, vejo uma desmotivação enorme. Uma outra amiga, do conselho directivo duma escola, queixa-se também da falta de condições, e eu não percebo bem porque ficam todos tão sem energia para fazerem coisas concretas e motivantes (apesar das políticas governamentais que podem ser castradoras, desarticuladas, etc).

    Mas, enfim. Se calhar é mesmo um mal difícil de remediar.

    De qualquer forma, anime-se! Perdição e cansaço não rimam com devoção e dedicação...! Uma professora feliz é meio caminho andado para as aulas serem um prazer.

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