domingo, 18 de março de 2012

Cá em casa, domingo também é dia de envelopes


Entre a pausa e a fuga, deslocação à estante envidraçada para descansar os olhos. Um livro de Eugénio de Andrade, poeta de primeiríssima água, estranhamente ausente deste blogue, um poema muito bonito, e sugestivo:


A Estante (pormenor)



VER CLARO

Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.


Eugénio de Andrade, Os sulcos da sede, Vila Nova de Famalicão, Quasi/Fundação Eugénio de Andrade, 2007. 

2 comentários:

  1. os teus posts sempre me surpreendem e estimulam a conhecer novos( e outros nem tanto ) autores .
    Obrigada !
    MT

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