quarta-feira, 14 de março de 2012

Diário de Maria Amélia IV

Hoje, sem palavras de sua lavra, traz uma imagem e um poema sugestivos, encontrados por aí, nos caminhos evasivos. No seu espírito, apenas uma pergunta: Como foi possível chegarmos aqui?




Errata

Onde se lê Deus deve ler-se morte.
Onde se lê poesia deve ler-se nada.
Onde se lê literatura deve ler-se o quê?
Onde se lê eu deve ler-se morte.

Onde se lê amor deve ler-se Inês.
Onde se lê gato deve ler-se Barnabé.
Onde se lê amizade deve ler-se amizade.

Onde se lê taberna deve ler-se salvação.
Onde se lê taberna deve ler-se perdição.
Onde se lê mundo deve ler-se tirem-me daqui.

Onde se lê Manuel de Freitas deve ser
com certeza um sítio muito triste.


Manuel de Freitas, A última porta

2 comentários:

  1. Então Leitora? Que pergunta mais desiludida é essa? Que poema tão bonito mas tão cheio de tristezas, de pequenas mortes, é esse?

    Um banho de imersão em pétalas de rosas não é salvação para essa perdição?

    Um beijinho, Leitora.

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  2. Há dias de abatimento, que as águas lavam, e as palavras consolam. As suas, nestas horas tardias.

    Um beijinho

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