sábado, 26 de maio de 2012

A subordinação e a coordenação

Ainda ontem, à beira da piscina onde decorria a aula de natação, se falava da escrita e do uso excessivo de "e"s. Observou-se que os presentes recorriam à hipotaxe quando escreviam textos argumentativos, tendo consciência técnica desse facto ou não; por outro lado, também era evidente que só na comunicação mais imediata, ou em casos de inaptidão, predominavam as construções paratácticas. 

Vem esta lembrança a propósito da entrevista do cardeal Gianfranco Ravasi ao Público, de hoje. Nela se reflecte sobre a relação da religião com a linguagem, nas suas múltiplas formas e possibilidades, principalmente no que respeita à arte. Todavia, o que se destaca agora são as referências à internet (Twitter e Blogue), sobre a qual o cardeal revela grande clarividência:

"É preciso coragem para entrar neste horizonte [sobre a sua conta no Twitter], que tem uma linguagem completamente diferente da tradicional, sobretudo por uma característica: a nossa linguagem religiosa, mas também a cultural ou a filosófica, usa a subordinada, ou seja, o raciocínio encadeado. Aqui, domina a coordenada: a frase breve, essencial, incisiva.
Podemos recusar esta aproximação, por simplificar as coisas. Mas sendo esta a linguagem que ocupa um espaço enorme na cultura contemporânea, sobretudo na juvenil, creio que devemos intervir, também ali, não esquecendo a nossa linguagem complexa, mas tentando esta via. Tentei fazê-lo através de dois modelos...
[...]
O blogue é já um discurso mais articulado."


Regressando às considerações iniciais, poderemos, então, pensar que um dos problemas da escrita, mormente escolar, mas não só, resulta de uma mudança no uso e na forma da linguagem, que, por sua vez, decorre de uma alteração do raciocínio lógico. É o efeito das novas tecnologias, diz-se, como antes se dizia que era o efeito dos meios audiovisuais. As razões serão diversas, o certo é que há um problema a nível da linguagem, logo a nível do entendimento do mundo e da vivência de cada dia.

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