quinta-feira, 19 de julho de 2012

O esplendor do corpo



José Rodrigues
Desenho incluído no livro
Luísa Dacosta, Corpo Recusado, Porto, Figueirinhas, 1985.


[Ao olhar para este corpo, alguém pensaria em gânglios, quistos e outros que tais?]

4 comentários:

  1. Gânglios e quistos como output de ecografias, mamografias e que tais, Leitora? Pacífico.

    Bons banhos, Leitora Marinha!


    PS: Belo desenho esse do José Rodrigues que escolheu.

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    1. Parece que na curva dos 40 se fazem rastreios e se abre a porta ao corpo clínico. O meu pensamento estranha esta visão, que não consigo conciliar com o corpo literário e muito menos com o corpo erótico.
      Na verdade, não descortino qualquer erotismo ou beleza na linguagem da saúde preventiva. Enfim, talvez seja uma questão de pensar melhor.

      (Confesso que o harmonioso traço de José Rodrigues me seduz mais do que o emaranhado de células, sombras, conselhos sensatos...)

      Mas posso ir de férias descansada, creio...

      E a sua convalescença? Espero que esteja melhor

      Boa sexta-feira!

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  2. Eu, como sabe, tive recentemente um contratempo que me levou a uma cirurgia. E nessa altura a sensação que tive é que uma coisa sou eu, outra, bem diferente, o meu corpo. Até aí as duas realidades estavam sintonizadas e conviviam pacificamente. Na altura em que o meu corpo resolveu mostrar-me que tem vontade própria, percebi que é melhor não o hostilizar.

    O melhor será mesmo vigiar como se vigiássemos uma criatura que não é de fiar, pouco leal, que não se ensaia nada para nos mostrar que consegue facilmente impor a sua vontade.

    E, como em todas as situações, com imaginação, até pode ser erótico ou literário...


    PS: A minha convalescença está de vento em popa, todos os dias mais uma pequena vitória e, aos poucos, está tudo a ficar quase normal.


    Boas férias!

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  3. O que diz sobre a dualidade Eu/Corpo é muito interessante. Também só agora, por razões circunstanciais, tive a percepção de que o corpo se move para lá da nossa vontade, exigindo atenções. Neste sentido, tornou-se claro que a medicina preventiva tem as suas razões e que não é coisa de hipocondríacos. Uma lição de humildade.

    Já me apercebi de que o seu dinamismo habitual está de regresso. Vou ver se consigo fazer-lhe uma visita hoje à tarde, que é como quem diz deixar umas palavras em Um Jeito Manso.

    As melhoras!

    Um beijinho

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