domingo, 25 de novembro de 2012

Do fim e outras acrobacias


FIM

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por foça ir de burro!

 
Mário de Sá-Carneiro, Poesias, Lisboa, Ática, 1989.

 


3 comentários:

  1. Fim de uma fase, certo? E estava a chávena de chá ali à porta de casa e, afinal, entro e já não a vejo? Que acrobacias são estas Leitora Fantástica? Diversões dominicais, pela certa. Mas um poema tão terminal, Leitora...

    Um beijinho!



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  2. Experimentações. Queria umas cores mais acolhedoras, mas não sei se me sinto bem com tanto laranja; quanto à imagem, tem sido difícil acertar com o tamanho...

    Mário de Sá-Craneiro é um dos meus poetas, era mesmo o meu poeta preferido na adolescencência, aí por volta dos 20. Entre o trágico e o irónico. Quando me faltam as respostas para as coisas dispensáveis dos dias, lembro-me de versos assim e a inteligência já parece menos anã.

    Bom...

    (Há quem não tenha memórias colectivas tão empolgantes como aquelas que referiu ontem no seu blogue, que, imagino, oferecem algumas doses de resistência para a **** das instituições. Nessa altura era uma criança. Vou ver se tenho disposição para escrever algumas notas sobre estas questões geracionais, que me interessam muito e me fazem ter um pouco de pena de não ter participado naqueles acontecimentos.)

    Um beijinho

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  3. Olá Leitora,

    O ambiente está acolhedor, tem o calor e a cor da beira da fogueira e, assim, chá e bolachinhas à nossa espera, não podia ser mais acolhedor.

    A fotografia está grande mas forma todo um ambiente. Eu gosto.

    Quanto àquela época, foi uma agitação, uma efervescência. E, desde o início, muito desapontamento. Os portugueses são assim, lamuriam-se, lamentam não terem aquilo com que sonharam e entregam-se à maledicência.

    Eu tinha 17 anos, também não era propriamente uma adulta mas, enfim, deu para andar por dentro daquilo tudo. Guardo memórias muito engraçadas (mas, já sabe, eu acho graça a tudo).

    Apesar de tudo, saíram à cena as melhores pessoas do país. A diferença para os dias de hoje está aí. Agora isto foi tomado de assalto pelo que de pior a sociedade tem.

    Mas, sabe que mais, Leitora? Vamos bebendo um cházinho (leva acento?) e vamos aguentando esta treta (e, sempre que possível, vamos lutando para que venham melhores dias).

    Um beijinho!



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