domingo, 11 de novembro de 2012

Leituras (cont.)

A leitora andou adoentada. Seria mal do corpo, seria mal do espírito, não o sabe; o certo é que melhora a olhos vistos. Foram os comprimidos, as ampolas cogitum, os recentes raios de sol?  Tudo é possível, mas tenho para mim que foram aqueles pachos de leituras que Ela lhe aplicou.

 
O encontro com o emplastro curativo
 

Flanava pela livraria, quando:
 
- Olha esta capa, tão gira! É mesmo o teu estilo, vais gostar. Leva.




Dito e feito. O livro, de um salto, encarrapitou-se no molho e veio para casa. Tem sido aplicado com parcimónia, mas o perfume vai tomando conta da casa, do corpo, da alma. Um indefinível aroma a alfazema, rosmaninho, tomilho, uma tisana de S. Martinho, o santo da partilha, uma temperatura no coração...


Noutro tom e noutro registo, pode afirmar que este foi um dos melhores e mais interessantes romances que leu nos últimos tempos. José Riço Direitinho, do qual só tinha lido o conto "Nasci a cheirar a tomilho" (A casa do fim, 1992), é um escritor excelente, a descobrir e a ler, ler muitas vezes.

Aqui se divulga o parágrafo inicial deste livro agora reeditado pela Quetzal (a primeira edição é da Asa: 1994), seguido de um depoimento do autor ao programa Ler mais, ler melhor.

"Depois de se ter deitado com um homem, lavava-se sempre numa infusão de folhas de arruda, apanhadas ao luar, e bebia tisanas com sementes de funcho e de sargacinha-dos-montes, para que as regras não lhe faltassem. De maneira que nos dois meses seguintes à noite em que encontrou na eira uma maçaroca de milho-rei, não acreditou que estivesse grávida, mas que a ausência do sangue se devesse a qualquer desarranjo, ou a ter olhado para dentro do forno enquanto o pão crescia."

 
José Riço Direitinho, Breviário das más inclinações, Lisboa, Quetzal, 2011.
 
 

2 comentários:

  1. Olhe, Leitora, já me convenceu. Tudo isto foi uma surpresa. Por um lado, o próprio autor. Fiquei muito admirada. Tinha na minha cabeça uma outra pessoa, não sei com quem é que, afinal, o estava a confundir. Tinha ideia que era um sujeito com ar de totó, de cromo, nada da pessoa que agora aqui vejo.

    E gostei da abertura do livro e gosto da conversa dele. A ver se o compro.

    De resto, espero que já esteja bem, bem de saúde e bem disposta.

    Eu quando ando assim e me sinto a ficar bem, sabe o que faço logo? Corto um bocado o cabelo (corto a mim mesma), mudo de cor da sombra dos olhos e arranjo uma roupa nova. E livros novos. E recomeço, brand new.

    Uma bela semana, com óptimas leituras, boas companhias e uma vida cheia de esperança!

    ResponderEliminar
  2. Muito obrigada! As suas palavras ajudam muito.

    Um beijinho

    Boas leituras!

    ResponderEliminar