sábado, 10 de novembro de 2012

Leituras...

 



Estranho, o universo de Ana Teresa Pereira. Acabada a leitura de O Lago, é esta a impressão maior; e a lembrança do conto "The Oval Portrait", de Edgar Allan Poe.
 
Um excerto, ao acaso, quando a história ainda vai no início, e as personagens apenas em aproximação:
 
"A peça era quase incompreensível. Estivera duas horas a vaguear no nevoeiro, de olhos vendados. Talvez fosse sempre assim, mesmo depois da última representação.
Pensou nas outras peças dele. Vira uma delas representada, e comprara o texto, que podia ser lido como uma novela. As longas descrições das personagens e dos cenários.
- Ele escreve como se não soubesse o fim das suas histórias...
Passou a mão pelos olhos. Havia devoção naquele pensamento, e ela não queria sentir devoção por ninguém. Sentia-se atraída por ele, mas isso não era grave. O cabelo preto e os olhos azuis, e o sotaque irlandês, e uma certa tristeza... pensou que gostaria de ir para a cama com ele. Uma ou duas vezes. Mais seria perigoso.
Nessa noite sonhou com ele." (p. 33)
 
 
Ana Teresa Pereira, O Lago, Lisboa, Relógio d'Água, 2011.

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