quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Luís de Camões

Diz a memória que os primeiros contactos com o grande Poeta se deram nos bancos de escola (cadeiras, sejamos precisos). Desde então não se esgotou o fascínio por esta poesia, especialmente pela lírica.
 
Neste início de 2º Período, estuda-se a lírica camoniana, o que tem despertado algum interesse e gosto entre os adolescentes. Hoje, uma breve ficha sobre um poema lembrou leituras e emoções antigas. Foi este o soneto escolhido:
 
 
Está o lascivo e doce passarinho
com o biquinho as penas ordenando,
o verso sem medida, alegre e brando,
espedindo no rústico raminho.
 
O cruel caçador (que do caminho
se vem calado e manso desviando),
na pronta vista a seta endireitando,
lhe dá no Estígio Lago eterno ninho.
 
Dest'arte o coração, que livre andava
(posto que já de longe destinado),
onde menos temia, foi ferido.
 
Porque o Frecheiro cego me esperava,
pera que me tomasse descuidado,
em vossos claros olhos escondido.
 
 
Luís de Camões, Lírica Completa-II, Lisboa, INCM, 1994.
 
 


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