quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Bela, belíssima, e ainda com potencial!


Floreça, fale, cante, ouça-se   e viva
A Portuguesa língua, e já onde for,
Senhora vá de si, soberba e altiva.
Se téqui esteve baixa e sem louvor,
Culpa é dos que a mal exercitaram:
Esquecimento nosso, e desamor.
 
António Ferreira
 
 
Virá a Língua Portuguesa a ser, um dia, a fala de muito mais de duzentos milhões de criaturas, tão ditosamente semeadas no globo que sob a rosa do Sol se debruçam em todos os mares, disfrutam as mais fecundas terras e lhes pertencem as mais belas margens do Atlântico?
 
 
Afonso Lopes Vieira
 
 
Parece que a resposta à pergunta do poeta Afonso Lopes Viera é afirmativa. Segundo recente estudo*, a língua portuguesa é falada por cerca de 250 milhões de pessoas, 3,7% da população mundial, tendendo este número a aumentar. Esta língua afirma-se, cada vez mais, como uma língua supercentral pelo número de falantes de língua materna, pelo número de países de língua oficial, pelos emigrantes e respectivos descendentes, pela internet, pela cultura e pela ciência e, naturalmente, pela importância e reconhecimento internacionais dos países de língua portuguesa, com destaque para o Brasil.
Segundo Luís Antero Reto et al., o português poderá vir a ocupar o segundo lugar como língua franca a nível global, depois do inglês, ocupando já a quarta posição, quanto ao número de falantes (Observatório da Língua Portuguesa - Quadro 1.1). Esta potencialidade da língua resulta, igualmente, da intercompreensão existente entre o português e o espanhol e da crescente importância da comunidade ibero-americana, em que a língua lusa tem vantagem, por estar implantada nos quatro continentes.
Saliente-se do estudo referido, a título de curiosidade, que o valor da língua é de aproximadamente 17% do PIB nacional, sendo que a riqueza produzida pelo setor criativo e cultural, em que a língua tem um valor fundamental, é superior à das indústrias alimentares e das bebidas, bem como dos têxteis e do vestuário.
 
*Luís Antero Reto, coord., Potencial Económico da Língua Portuguesa, Lisboa, Texto, 2012.


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