AQUELOUTRO
O dúbio mascarado, o mentiroso
Afinal, que passou a vida incógnito;
o Rei-lua postiço, o falso atónito;
Bem no fundo o covarde rigoroso...
Em vez de Pagem bobo presunçoso...
Sua alma de neve asco de vómito...
Seu ânimo cantado como indómito
Um lacaio invertido e pressuroso...
O sem nervos nem ânsia, o papa-açorda...
(Seu coração talvez movido a corda...)
Apesar dos seus berros ao Ideal,
O corrido, o raimoso, o desleal,
O balofo arrotando Império astral,
O mago sem condão, o Esfinge Gorda...
Mário de Sá-Carneiro, Poesias, Lisboa, ática, 1989.
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