terça-feira, 22 de outubro de 2013

Interrogar o riso


Ainda a propósito do riso, cito, do catálogo da exposição "Riso", que decorreu no Museu da Eletricidade, em Lisboa, de 19 de outubro de 2012 a 17 de março de 2013:
 
"Rimos de quê? De nós e dos outros, da vida e da morte, do bem e do mal, da felicidade e da desgraça, da autoridade e da anarquia, dos deuses e dos demónios, da terra e do céu.
Rimos como? Com a mente e com o corpo, com o som e com o silêncio, com alegria e com tristeza, com generosidade e com agressão, com compreensão e com intolerância, com inteligência e com estupidez, com bondade e com maldade, com subtileza e com grosseria, com oportunidade e sem ela.
Rimos porquê? Porque queremos ser superiores àquilo de que rimos, porque queremos que a nossa inferioridade resista à superioridade dos outros, porque queremos vingar-nos do que nos fizeram, porque queremos afirmar poder e saber, porque queremos mostrar indiferença ao que não nos é indiferente, porque queremos que reparem em nós, porque queremos criticar, porque queremos castigar o que achamos mal, porque queremos disfarçar, porque queremos esconder, porque não temos palavras para dizer o que queremos dizer, porque nos fazem cócegas, porque estamos nervosos, porque estamos carentes, porque temos medo, porque temos vergonha, porque queremos mudar de assunto, porque achamos graça, porque queremos ter graça, porque somos loucos, porque estamos felizes." 
 
 
Nuno Crespo et alii, "Riso, modos de usar" in Riso, Lisboa, Fundação EDP e Tinta da China Edições, 2012, pp. 26 e 27.

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