quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Gramáticas de Português

 
 
Gosto de gramáticas. Hoje vieram os dois volumes da Gramática do Português, editada pela Fundação Calouste Gulbenkian, em outubro de 2013:
 
 
RAPOSO, Eduardo Buzagalo Paiva et alii (2013). Gramática do Português. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian (Vol. I e II).
 
 
A capa é bastante original: capa preta e sobrecapa também preta, dobrada e deixando ver parte de uma reprodução do quadro Alfabeto I, de João Vieira, de 1981.
 
Quanto à conceção da obra, os seus organizadores são claros, como se lê na contracapa:
 
"A Gramática do Português é uma obra em que se descreve o português europeu culto contemporâneo. Inclui igualmente informação sobre variedades regionais portuguesas e sobre o português do Brasil, de Angola e de Moçambique, assim como sobre a origem e evolução da língua.
Beneficiando dos resultados mais recentes da investigação em linguística, é acessível a não especialistas e destina-se a um público que pretende dispor de uma obra de referência sobre as principais questões da gramática do português, bem articuladas entre si e claramente expostas. Será de particular utilidade para estudantes do ensino superior, professores de português, autores de manuais e gramáticas escolares, jornalistas e tradutores, que nela poderão encontrar uma descrição dos fenómenos gramaticais e uma explicação clara dos conceitos e termos mais importantes usados na descrição linguística. Esta Gramática vem colmatar a ausência de uma obra de referência de descrição do português que satisfaça as necessidades de públicos diferenciados, já que as gramáticas existentes ou são excessivamente técnicas ou são demasiado simples e breves, pensadas com o objetivo restrito de acompanharem os currículos escolares. [...]"
 
 Muito bem; já tardava.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Leituras - janelas de liberdade


A situação das bibliotecas escolares em Portugal é muito diversa. Algumas ainda estão à procura das condições físicas e de recursos, outras, apesar de constrangimentos específicos, já procuram ser mais ativas. Ao professor bibliotecário, elemento crucial neste espaço, muito é pedido: "competências em biblioteconomia, tecnologias e em gestão da informação, outros conhecimentos muito diversificados nas áreas da pedagogia, psicologia, economia, sociologia, ética", e, acrescentaria, política, lato sensu.

Se considerarmos que o conhecimento, hoje, já não está fechado em recônditos edifícios acessíveis só a alguns e que a sociedade exige que os cidadãos interajam e acedam rapidamente a informação relevante para resolverem problemas, parece evidente que as escolas têm de responder às necessidades emergentes. Neste sentido, é muito pertinente que integrem as potencialidades das tecnologias da informação e comunicação e da web 2.0, desde logo adaptando as suas bibliotecas a esta realidade. Como? O artigo de Natividade Santos, Angélica Monteiro e Paula Carqueja apresenta exemplos do uso das ferramentas disponíveis: blogues, wikis, RSS, FEEDS, Bookmarking Social, partilha de imagem, som e vídeo em sites grátis de fácil gestão, redes sociais, ambientes virtuis, QR Code. É um mundo fascinante! Creio que o futuro passa por aqui, que é irrecusável e desafiante, que as escolas serão muito mais interessantes e eficazes quando conseguirem mover-se fluentemente nesta forma de comunicação, nesta linguagem.
 
Referências bibliográficas:
Natividade Santos et alii., "A Integração da Web 2.0 nas Bibliotecas Escolares" in MOREIRA, J. A. & MONTEIRO, A. (Orgs.) (2012). Ensinar e Aprender Online com Tecnologias Digitais: Abordagens Teóricas e Metodológicas. Porto: Porto Editora.


Do que acima se escreveu, não se infira que a leitora abandonou o pó dos livros, para se entregar aos tácteis ecrãs! O amor aos livros nunca acaba e não é incompatível com outras tecnologias; simplesmente as maneiras de ler são diversas, assim como diversas são as intenções de quem se acerca da palavra escrita. De facto, se a leitura online se adequa à rapidez do trabalho, que requer informação imediata ou consulta digital de obras guardadas em bibliotecas distantes (não raro, fisicamente inacessíveis aos comuns dos mortais), já a reflexão ou o prazer requerem outras demoras, mais compatíveis com a materialidade do livro e do movimento das suas folhas. 

As bibliotecas do futuro - da escola primária à universidade, até à vida futura