quinta-feira, 19 de maio de 2016

Eu sou o zé das couves

«Eu já não sou tropa viva - nem morta sequer: tenho aqui umas couves galegas que vou depenando para o caldo de todos os dias com que Deus ainda acode à gente. Em a décima mo levando... a décima e o quinto, e o subsídio literário (oh meu comandante, subsídio literário para esta gente que aborrece e persegue as letras!) e a câmara municipal, e o administrador do concelho, e os enjeitados, e a côngrua do pároco, e o cruzado para as estradas... Paciência, morrerei aqui a um canto, mas não lhes hei-de pedir nada a eles: hei-de seguir o nobre exemplo do meu comandante.»

Almeida Garrett, O Arco de Santana, Porto, Lello, s.d, p. 25.

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