quarta-feira, 4 de maio de 2016

Quarta-feira de sol nos cabelos

Leituras.

Uma descoberta: Eugénia de Vasconcellos. Poesia surpreendente, de que estou a gostar muito. 

Fica um poema de Eugénia Vasconcellos e uma imagem de outras compras: Ana Cássia Rebelo, Ana de Amesterdam, Lisboa, Quetzal, 2015; Paulo Varela Gomes, Passos Perdidos, Lisboa, Tinta da China, 2016 (mais um livro lindíssimo da Tinta da China); José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira, Alfragide, Leya/Livros RTP, 2016 (excelente iniciativa da RTP, em pareceria com a Leya, de louvar e colecionar).




Poema à mulher triste

Levanta-te.
Levanta-te.
Do fundo de ti, ergue-te
e um arquipélago de milagres
erguer-se-á contigo,
à tua esquerda e à tua direita,
ilhas súbitas.
E todas as coisas naturais
voltarão a jorrar de secretas fontes ocultas,
voltarão:
a composição harmónica do riso,
a melodia do sol nos cabelos,
e a violência das estrelas
explodirá de novo entre a erva e o orvalho
atravessando o vento
e as duas línguas de fogo.
A mulher dorme
esculpida sobre o túmulo de pedra,
e as mãos postas sobre o peito. Repete:
é a nascente
é a nascente
é a nascente.
E jorra um arquipélagos de milagres.
Ilhas súbitas
erguem-te.

Eugénia de Vasconcellos, o quotidiano a secar em verso, Lisboa, Guerra e Paz, 2016.

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