sábado, 16 de setembro de 2017

Mário de Sá-Carneiro

Algures na net...
Fim
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!


Mário de Sá-Carneiro, Poesias, Ática, 1989.

sábado, 2 de setembro de 2017

Deambulações por livrarias: Poesia


o casebre numa faixa de negro plúmbeo
uma bíblia em cada quarto

os amantes açoitam-se com maias palavras
(o girassol nocturno que esfregam das mãos em fúria)

o homem alivia-se da sua inteligência
lendo é olhado
tem no dedo a brasa da atenção

ela roça vestígios pelo tapete
como quem conta
os inteiros degraus da queda

não sabem ainda quantos são
para partilhar uma sombra

Frederico Pedreira. A Noite Inteira. Lisboa: Relógio d'Água, 2017.