Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Hatherly. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Hatherly. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de abril de 2016

"história da literatura com caracóis e uma imperial"

O título desta entrada é de J.D, a propósito de uma fotografia no Facebook, de uma história da literatura antiga e de Ana Hatherly, autora do poema citado:


os caracóis e as carpas têm cornos

os caracóis e as carpas têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carpas e os caracóis não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracoias e os carpos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os carapoicos e os parcos não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carapaias e os porcos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracoicos e as parras não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carassaias e os parcas têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracorpos e as praias não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracaias e os poicos têm
vês

Ana Hatherly
um calculador de improbabilidades
Quimera
1ª edição 2001

domingo, 29 de janeiro de 2012

O futuro é um despiste amargo


Avec le temps

Com o tempo
tudo passa
do possível ao improvável

Com o tempo
desabitamos
as condições do corpo
a sua assinatura

Com o tempo
descobrimos o sentido fractal
na face do Banquete
as coisas conhecidas
tornam-se sussurro

O futuro é um despiste amargo 
um vértice truncado
que se esfuma

Divorciados do acaso
afastamo-nos calados

No deserto
surdamente gritamos

Ana Hatherly

in Isabel Pires de Lima, Vozes e olhares no feminino, Porto, Edições Afrontamento e Porto 2001, 2001.