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sábado, 16 de dezembro de 2017

Leixa-pren

Tinha dado por findas as publicações neste blogue, dando forma a uma inércia que se manifestava na escassez de publicações, mas as mãos regressam às teclas, agora movidas por ideias para a nova função. Uma mesa de trocas será uma boa ideia? Acordará os livros? Passarão de mão em mão? Que olhos se deliciarão?

Uma mala "vintage" com dois livros que saltaram da estante
e quatro livros comprados numa feira num centro comercial.
Em vez de roupa, bibelots e outros que tais, livros, livros...
(A Tinta da China é irresistível!)
Chamar-se-á vício!?

Como um romance, de Daniel Pennac - livro imprescindível na biblioteca de um professor de Português formado nos inícios de '90. Bom ou mau? Nem bom nem mau, a ler e a levar para casa, pensando que há muitas formas de amar os livros.

O corsário dos sete mares: Fernão Mendes Pinto, de Deana Barroqueiro - um romance sobre esse homem aventureiro e cativante dos descobrimentos portugueses. A capa é bonita, com aquele fragmento de Biombo Namban, mas, quando chegamos a Fernão Mendes Pinto, prefiro sempre a sua própria voz em Peregrinação. Outros olhos navegarão nestas 675 páginas.

Os outros... saltam da mala-caixa para a estante desta leitora, até um dia.

Caixa +
Vai crescendo, o conteúdo da mala-caixa, transita pela casa...
Agora está entre a lareira e a Árvore de Natal.
São presentes, são livros para a mesa das trocas?


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Biblioteca

Por razões profissionais, preparava uma atividade na biblioteca, quando a atenção se desviou para dois títulos: Pedro Mexia, Biblioteca, Lisboa, Tinta da China, 2016 e Libório Manuel Silva, Bibliotecas: Maravilhas de Portugal, Famalicão, Centro Altântico, 2013, ambos com prefácio de Eduardo Lourenço.

São livros diferentes, é claro; o primeiro reúne crónicas que Pedro Mexia publicou no Público e no Expresso de março de 2008 a março de 2015, o segundo fotografias do autor de 22 bibliotecas históricas de Portugal. O que têm em comum, então, para que a memória os tenha convocado ao mesmo tempo? O fascínio pela leitura, pelo saber e pelo livro. 

O fascínio pelo livro, pela sua arrumação nas estantes, forrando paredes, sublimando os lugares, não tem medida. Nem essa estranha sedução dos dicionários, das listas, dos compêndios, das enciclopédias, das coleções... O que faz o encanto dos objetos e da sua acumulação? Será o sentido da permanência? Será a materialidade do conhecimento, do prazer da leitura? A matéria dos livros?...
Pedro Mexia refere o sentimento de orfandade ligado ao fim das enciclopédias antigas: "O fim da Britannica, e das enciclopédias à moda antiga, é para mim quase uma orfandade." (p. 20) De facto, por mais louvável e democrático que seja esse expoente de enciclopédia viva que é a Wikipédia, não escapa à falta. Falta de quê? Falta de especialistas, sim, mas principalmente de um corpo, matéria palpável, pronta a desfazer-se em pó e, simultaneamente, prometendo escapar a Cronos. Parece-me... qualquer coisa... se não é de amor que se fala, do que será, então?...