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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ligações



"O menino de sua mãe", de Pessoa, e "Guernica", de Picasso, evocaram outro poeta e outro. Aqui fica Carlos de Oliveira:



CRISTAL EM SÓRIA



Sumário

Nas colinas de António Machado
Descrição da guerra em Guernica
Rio, despedida



[...]


[Descrição da guerra em Guernica - Excerto]

X

O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar;
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura;
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos; com o suor da estrela
tatuada na testa.

Carlos de Oliveira, Trabalho Poético, Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1998.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Posto de gasolina

Ela gosta tanto de Carlos de Oliveira, poesia e prosa!

Lembrou-se deste poema, que impressionou Meninos e Meninas, certo Dia Mundial da Poesia, ainda que as verbalizações sobre ele nem sempre tenham sido as mais delicadas...
Seja como for, a verdade é que de todas as vezes que o lê ocorre-lhe a imagem de um homem jovem, em posto de gasolina, num filme dos anos 50/60. Alguém conhece tal imagem, fotografia que possa acompanhar as palavras desta entrada?


 

Oferta do P. M.



POSTO DE GASOLINA


Poiso a mão vagarosa no capô dos carros como se afagasse a crina dum cavalo. Vêm mortos de sede. Julgo que se perderam no deserto e o seu destino é apenas terem pressa. Neste emprego, ouço o ruído da engrenagem, o suave movimento do mundo a acelarar-se pouco a pouco. Quem sou eu, no entanto, que balança tenho para pesar sem erro a minha vida e os sonhos de quem passa?


 Carlos de Oliveira, Trabalho Poético, Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1998.