Catarina Nunes de Almeida reescreve as cantigas de amigo e de amor, revelando a sensualidade que, tão encantadoramente, já aquelas sugeriam:
O único maremoto de que há memória
aconteceu nos teus cabelos que hoje são lisos
e deixam a água pelos tornozelos
até ser de manhã.
Agora até a terra passou.
Cruzam-se valsas e expedições na curva do seio
a música não cabe na boca das aves
e nós, meninas, bailaremos i.
Catarina Nunes de Almeida, Bailias, Porto, Deriva, 2010.