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sábado, 19 de janeiro de 2013

Noite

Cecília Meireles

Uma poesia bela, luminosa, com uma tristeza fininha...

NOITE

Húmido gosto da terra,
cheiro de pedra lavada,
- tempo inseguro do tempo! -
sombra do flanco da serra,
nua e fria, sem mais nada.

Brilho de areias pisadas,
sabor de folhas mordidas,
- lábios da voz sem ventura! -
suspiro das madrugadas
sem coisas acontecidas.

A noite abria a frescura
dos campos todos molhados,
- sozinha, com o seu perfume! -
preparando a flor mais pura
com ares de todos os lados.

Bem que a vida estava quieta.
Mas passava o pensamento...
- de onde vinha aquela música?
E era uma nuvem repleta,
entre as estrelas e o vento.

 
Cecília Meireles, Antologia Poética, Lisboa, Relógio d'Água, 2002.