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terça-feira, 18 de março de 2014

Diário de Maria Amélia XII

= «Castigo», pesado e monótono = «Agonia» (S.)

S., a propósito de TTIs, envelopes, pedregulhos, pérolas + reacção/comentário de MA.

Maria Amélia não compreende seu castigo, por isso folheia dicionários; procura estabelecer os contornos da patologia ou, tão-só, evadir-se.

Agonia é uma palavra bonita, assim como agónico, já agoniado desgosta, lembra vómito e outras náuseas.

O que dizem os dicionários?

Dicionário de Sinónimos (Porto Editora:1999)

Agonia: açodamento; aflição; agoniação: angústia; ânsia; ansiedade; arrancos; desfalecimento; desfecho; desgosto; discussão; enjoo; estertor; fim; final; inquietação; matírio; náusea; perigo; pressa; ralho; temor; transe; vascas; zanga

Agoniado: aflito; afrontado; ansioso; exaltado; indisposto; insofrido; triste

Agónico: merencório; triste

Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (Círculo de Leitores: 2007) 
[só se retiraram algumas informações dos verbetes]

Agonia: (s. XV) 1. estertor; 2. Mús toque especial do sino para anunciar aos fiéis a morte de laguém; 3. fig declínio que precede o fim; últimos momentos; 4. fig forma de aflição ou sofrimento agudo, de origem física ou moral; 5. inf ânsia provocada por enjoo ou náusea; desejo veemente; ansiedade; ânsia; 7. B inf pressa; açodamento; 8. B inf incapacidade de tomar decisão; indecisão. ETIM gr "agonia, as luta nos jogos, exercício em geral, combate, agitação da alma, angústia, aflição", pelo lat agonia, ae, "vítima sagrada, ansiedade, dor, perturbação

Agoniado: 1. que sente agonia, estertores de aflição e morte; ansiado, agonizado; 4. fig dominado por amargura, por tristeza. mortificado

Agónico: 1. que se encontra na agonia; 2. Med relativo ou próprio da agonia

(E para piorar, todos os dicionários desta casa empapelada seguem a ortografia não oficial! É um caso agudo de humor merencório, digo eu.)


Imagem retirada do Facebook: Sr. Teste

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Diário de Maria Amélia XI



Às voltas com os pedregulhos, olho para o lado, e que vejo eu? Um aforismo, desses que se encontram nos centros comerciais, mais precisamente, à venda na Loja do Gato Preto. Apetece largar tudo e correr para o sol, se os dias fossem propícios, mas não. O dever doma as pulsões e o corpo permanece fixo na cadeira, os olhos vagueiam, as mãos nem sei. Ficamos, é certo. Se não for esmagada pelo número, chegarei ao fim dos trabalhos.  

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Diário de Maria Amélia X


- ... e não sei nomes de comprimidos.
- Mas vais saber.
- Vou?
- Sim, os nomes dos comprimidos que vais ter de tomar para os nervos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Diário de Maria Amélia IX

 
Toni Frissell
 

Existe, mas gostaria de ser evanescente. Ou, então, água.
 
[Está regressando...]

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Diário de Maria Amélia V

Acaba Maria Amélia de ler a última entrada, ou "post", da Leitora, reverberando ainda no seu cansado cérebro o eco das palavras citadas: ... respeito... fundamento da vida social e a salvaguarda contra a arbitrariedade e o uso discricionário da força... Maria Amélia, o alvo, Maria Amélia, a grande ameaçada, Maria Amélia, a rebelde visceral, Mariazinha, Mèlinha, o que for, o certo é que o pessimismo não virá, de mãos dadas com a estultícia, para estragar o jantar de logo à noite, para criar mau ambiente. Não secaram as fontes, apesar de a gatinha ter sido devorada pelo gatarrão da vizinha e as Friskies se revelarem inúteis. Maria Amélia, a dos bons ouvidos, escuta ainda um ténue miar felino [nada de hello kitty, garanto].

quarta-feira, 14 de março de 2012

Diário de Maria Amélia IV

Hoje, sem palavras de sua lavra, traz uma imagem e um poema sugestivos, encontrados por aí, nos caminhos evasivos. No seu espírito, apenas uma pergunta: Como foi possível chegarmos aqui?




Errata

Onde se lê Deus deve ler-se morte.
Onde se lê poesia deve ler-se nada.
Onde se lê literatura deve ler-se o quê?
Onde se lê eu deve ler-se morte.

Onde se lê amor deve ler-se Inês.
Onde se lê gato deve ler-se Barnabé.
Onde se lê amizade deve ler-se amizade.

Onde se lê taberna deve ler-se salvação.
Onde se lê taberna deve ler-se perdição.
Onde se lê mundo deve ler-se tirem-me daqui.

Onde se lê Manuel de Freitas deve ser
com certeza um sítio muito triste.


Manuel de Freitas, A última porta

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Diário de Maria Amélia III

Chianca de Garcia, Aldeia da Roupa Branca


Dedicava-se ao ofício de lavadeira. Com pouco gosto, diga-se, mas cumprindo as tarefas esperadas e conformes: cantarolava vagas insinuações brejeiras, esborrachava o sabão azul e branco nos alvos panos, esfregava com zelo, batia as fronhas na pedra e enxaguava, diligentemente enxaguava a sua trouxa nas águas comuns; de vez em quando, também subia a voz, para chamar outra camarada de tanque ou, então, para fazer valer a sua opinião, que, assim, se destacava em expressividade. Estes dizeres guinchados, todavia, não lhe saíam com naturalidade, era preciso acordar os músculos do aparelho fonador, arranhar as cordas vocais, inspirar com convicção e, de seguida, com toda a força, lançar a palavra mole. Com tanto esforço, nem sempre conseguia entrar no bulício no momento certo, tropeçava, demorava-se, desarmonizava-se; enfim, estava sempre um pouco fora do ritmo. Era estranha, ou melhor, deste modo a poderia considerar o gaiteiro rancho. Por isso, acautelava-se. Estava sempre vigilante, recompunha o traje e a cantoria logo à mínima desafinação, de maneira a passar despercebida. Sabia que o seu destino dependia da invisibilidade e que o equilíbrio estava por um fio.
Só as noites eram suas. Entregava os trapos ao luar, recolhia-se e partia na sua barca. Buscava a cidade, demandava sonhos, procurava a palavra, a de sílabas de luz. Sim, só essa palavra mágica a poderia libertar, sabia-o bem, agora e desde menina. Sempre fora sensível ao seu chamado, sempre o seu eco fizera ninho no seu coração. Deslizava na sua corrente sanguínea, caldeava-se com os seus fluxos mais íntimos, era parte de si. Mas, ultimamente, sentia-se exangue, ensurdecida. As noites transmudavam-se em frio e sobressalto, em arrecadação de trouxas de alienígena freguesia. Qualquer coisa tinha tomado conta do sono e impedia a viagem. Perto, perto ainda um murmurinho de alegria, resistente. 



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Diário de Maria Amélia II



Jacek Yerka, Boudoir


Vêm chegando, uma a uma, em pequenos grupos, todas envoltas nos seus cachecóis de lã, ora lisos, ora de múltiplas cores, nos seus sobretudos aprumados, nas suas calças de mulher ou saias de andar. Vêm chegando, na sua nuvem de perfume e cinzentismo. Vêm chegando e sentam-se a esmo, trocando dizeres, até que o burburinho se desvie para a sala combinada.
Aí, perfilam-se, canetas em riste, cadernos abertos, a prontidão para o apontamento, para a palavra conveniente. Como perder a necessária orientação para o movimento do espanador? Limpar o pó é uma tarefa assaz complexa e importante. Dela depende a harmonia da casa, o uniforme semear de ácaros, o competente brilho, o justo entendimento da escrita na areia, frases em letra de imprensa a duas colunas, o mistério a abrir-se. Mas nem só de poeira se faz a lida. É preciso compor as jarras com as flores que cada uma trará do seu jardim, assegurar que condizem com o lavrado do tapete, garantir que a natureza está no seu devido lugar e na medida certa, q.b. Ah! e as cores, não esquecer o cromatismo e o jogo de contrastes! E o ritmo? Como marcar o ritmo? Foi muito pertinente a intervenção. Máquina de costura, máquina de lavar, passos de chinelo, o crepitar das chamas, nada é esquecido, nada será deixado ao acaso. Até o cantar de galo e o carrinho de linhas têm o seu sítio exacto.
Só a pequena trupe esquipática destoa de tão concertado ambiente. Querem almofadas para espalhar suas cabeleiras, águas horizontais para licenciosos banhos, querem espelhos de fixar medusas e outras excentricidades. No entanto, seja qual for a sua vontade, a tarefa futura já lhes está destinada - contar os espinhos do cacto.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Diário de Maria Amélia


(Eduardo Mãos-de-Tesoura - imagem retirada da internet)


É tão bom rapaz, tão bonito! Aquele olhar carente, a necessitar da nossa ajuda. Sim, pois, só nós ambas e duas o podemos compreender, se o aguardamos de há tanto tempo, desde que, meninas ainda, bordávamos sonhos, às escondidas. Quem mais? Temos de ver o que está para além, sim, de considerar todo o contexto, para o ajudarmos a ter sucesso. Tão jovem, tão promissor, tão querido, basta-lhe o nosso auxílio generoso, é evidente. A ausência de diálogo, a escassez de afecto. Ai, coitadinho!

Diz-me, espelho meu, estou linda, não estou? Este corte fica-me mesmo bem, não fica? Sou mais bonita do que ela, não sou? Hã?... Vejam bem isto, quer uma pessoa ajudar, ser boa, e depois, zás, ISTO! 

[Foge, foge, Menino, que te querem matar!]