Entre a pausa e a fuga, deslocação à estante envidraçada para descansar os olhos. Um livro de Eugénio de Andrade, poeta de primeiríssima água, estranhamente ausente deste blogue, um poema muito bonito, e sugestivo:
A Estante (pormenor)
VER CLARO
Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.
Eugénio de Andrade, Os sulcos da sede, Vila Nova de Famalicão, Quasi/Fundação Eugénio de Andrade, 2007.