Lindo!
(Também quero...)
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quarta-feira, 30 de novembro de 2016
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Pessoa e a heteronimia
«No quadro dos heterónimos, bem como de toda a escrita ficcional ou ensaística que assinam os nomes de Pessoa, a arquictetura da dissolução ou da multiplicação ou do vácuo do "eu" constitui um dos fios que sempre se encontram. Excepto em Caeiro, e é isso que o torna capaz de ocupar o lugar de Mestre. Ao passo que a consciência de não existir, ou de existir a si mesmo se opondo, atormenta todos os outros, desesperados reflexos sem corpo, em Caeiro encontramos a paz de dizer "eu" e de isso significar, de facto, "eu", sem ambiguidades, sem sonhos e sem fantasmas. É isto que Eduardo Lourenço mostra, aliás, em Pessoa Revisitado, ao referir a vontade que anima Caeiro de regressar "àquele ponto anterior à cisão (2ª ed., 1981: 40).»
Fernando Cabral Martins. «A ciência das imagens». Pessoa's Alberto Caeiro. Portuguese Literary & Cultural Studies 3. Center for Portuguese Studies and Culture. University of Massachusetts Dartmouth: 2000. p. 137.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Palavra-corpo-magia
"O corpo; o amor do visível e do tangível; a conversão do subjectivo em objectivo; o apetite, a voracidade de e na própria criação: tudo isto se patenteia nas obras dos melhores poetas e narradores da língua portuguesa.
Em semelhante perspectiva, não deixará de inquietar - ou pelo menos de parecer estranha - a tão positiva aura de que actualmente goza no estrangeiro uma obra como a de Fernando Pessoa: ela pode afigurar-se a grande, a genial excepção à regra. O certo, porém, é que Pessoa, a despeito da insensibilidade ou desconfiança diante dos valores do corpo, não cessa de sucumbir, sob variados aspectos, às múltiplas seduções da palavra-corpo: não falo dos seus jogos ornamentais de «em horas inda louras, lindas/Clarindas e Belindas brandas» e outros afins, característicos da primeira fase do poeta ortónimo; falo sobretudo do suporte «carnal» de muitos daqueles «oxímoros dialécticos» oportunamente postos em relevo pela crítica mais especializada; e também, particularmente em Álvaro de Campos, da concreta substancialidade inerente ao seu modo de exprimir e comunicar o abstracto."
David Mourão-Ferreira, Magia, Palavra, Corpo, Lisboa, Cotovia, 1993.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
domingo à noite, vidas vidinhas
(...)
Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que é a que sonhámos na infância,
E que continuamos sonhando, adultos num substrato de névoa;
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,
Que é a prática, a útil,
Aquela em que acabam por nos meter num caixão.
(...)
Álvaro de Campos, "Datilografia" (do manual em uso)
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
a rir com Álvaro de Campos e Alberto Pimenta, pela mão de Telmo
A publicação de T. de hoje é simplesmente hilariante! Que lufada de ar, de oxigénio, trouxe à leitora! Sentiu-se compreendida e acompanhada. Nem mais: os exames de Português, o seu ruído, o estado das coisas e esse poeta acutilante e irresistível que é Alberto Pimenta. A resposta ao tempo que corre.
No vídeo que se segue, o poeta apresenta o seu livro Al Face-book (7nós: 2012), no café-livraria Gato Vadio, e lê o poema, a partir dos vinte e dois minutos. Magnífico!
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
são rosas, mas tinham pedido pão de forma
À tarde e à noite, os professores preparam as suas aulas. Alguns preparam-nas sempre mal (quase sempre, vá...). Ei-las, às evidências - óóóóóóó-óóó-úúú-óú-óó-íí-óóóóóóó - etc. e mais a seguir:
(a + b) n = n C0
a n + n C1
a n-1 b + n
C2 a n-2 b 2 + ... + n C n-1
a b n-1 + n Cn bn
Vénus
de Milo
????????????????????????????????????????
-O que é isto? Quem adivinha, quem é? Quem consegue relacionar os três elementos?
- ...
- o poeta
O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora).
Álvaro de Campos
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando
Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
As aulas e os textos
A Mensagem não empolga, mas aqui e ali surgem estes poemas, estas palavras cheias de beleza.
Dulce Pontes, "O Infante"
I
O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se aterra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Fernando Pessoa, Mensagem, Lisboa, Ática, 1979.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Ela não bebe, cita
Poema em linha reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos, Poesias, Lisboa, Ática, 1986.
sábado, 28 de abril de 2012
Regresso aos livros
Finalmente Fernando Pessoa, plural como o universo, na Gulbenkian; já todos tinham visto e aconselhado esta exposição, só ela tardava, solicitada pelas múltiplas tarefas e obrigações. Valeu a pena, tanto pela exposição, como pelo passeio; de facto, o jardim e o edifício da Fundação constituem um dos lugares mais agradáveis de Lisboa.
Como de costume, as famílias, os amigos, os namorados, as pessoas (des)acompanhadas, ou quaisquer outras combinações, flanavam harmoniosamente pelos caminhos, pela relva, por aqui e por ali, sempre rodeados de vegetação fresca, de água corrente, de patos e de pombos, claro; como de costume, o almoço no restaurante do CAM foi óptimo e simpático.
Mas vamos à exposição. Logo à entrada, a fotografia do poeta caminhando por Lisboa e o início do labirinto, com os heterónimos em primeiro plano. Entretanto, projecção de frases e versos pessoanos, mostra de manuscritos, dactiloscritos e publicações de poemas, citações, silhuetas, explicações e um inquietente espelho multifacetado, desdobrando o visitante... Depois do labirinto, uma vasta zona com obras publicadas de Pessoa, a famosa arca, manuscritos, velhos cadernos do poeta, novas projecções de versos, agora sobre superfície "incerta", vídeos, com destaque para a multidão urbana, sempre a mesma e sempre outra, na passagem por uma rua qualquer. Só a geração modernista contemporânea de Fernando Pessoa estava parcamente representada, muito incompleta (é pena). Ressalve-se o facto de a organização da mostra concretizar alguns dos temas/leitmotiv deste poeta e do modernismo: o labirinto, o espelho e a refracção da imagem, a coexistência de várias linguagens e suportes.
Exposição a não perder, continua até seis de Maio.
Este passeio não estaria completo sem uma passagem por livrarias: a da Gulbenkian e a Fnac. Livros novos para os próximos dias.
Ei-los
O livro preto é o último de Inês Fonseca Santos - As coisas. Após uma leitura muito rápida, reconhecem-se dois termos enigmáticos: as coisa, o teu nome. Estes poemas chamam novas leituras, por agora, aqui fica um deles, muito belo, que ensina a esperança:
AS COISAS IRREPARÁVEIS
Arrumo a casa. Encontro minúsculos vestígios
das coisas irreparáveis. Em cada uma, metade
de uma letra do teu nome. Junto-as.
Reaprendo a dizê-lo de uma forma diferente, quase nova.
Inês Fonseca Santos, As coisas, Lisboa, Abysmo, 2012.
sábado, 3 de março de 2012
Estudar Fernando Pessoa
A Arca, no Arquivo Pessoa
Os alunos têm muitos meios para estudarem as matérias leccionadas na escola. O Portal MultiPessoa e o Arquivo Pessoa (base de dados), por exemplo, são óptimos para quem está a trabalhar a obra de Fernando Pessoa.
domingo, 23 de outubro de 2011
Cavaleiro monge
Há anos, no curso nocturno, uma aluna cantou este poema de Fernando Pessoa; ecoou pela escola toda e, assim, a poesia esteve lá.
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Caminhais secretos.
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por plainos desertos
Sem ter horizontes,
Caminhais libertos.
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por ínvios caminhos,
Por rios sem ponte,
Caminhais sozinhos.
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.
Fernando Pessoa
[Ler também o poema de Antero, "O Palácio da Ventura"]
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Ligações
"O menino de sua mãe", de Pessoa, e "Guernica", de Picasso, evocaram outro poeta e outro. Aqui fica Carlos de Oliveira:
CRISTAL EM SÓRIA
Sumário
Nas colinas de António Machado
Descrição da guerra em Guernica
Rio, despedida
[...]
[Descrição da guerra em Guernica - Excerto]
X
O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar;
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura;
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos; com o suor da estrela
tatuada na testa.
Carlos de Oliveira, Trabalho Poético, Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1998.
sábado, 1 de outubro de 2011
O Esplendor da língua VIII
Liam um poema de Pessoa, "Ela canta, pobre ceifeira", quando aquela "voz, cheia/ De alegre e anónima viuvez" evocou uma outra, a do grande poeta Camilo Pessanha. De ecos e saberes se faz a leitura, por isso desviemos a nossa atenção para este poeta de primeiríssima água.
Camilo Pessanha
Gustavo Rubim, no verbete incluído no Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, inscreve Camilo Pessanha (1867-1926) nos alvores do Modernismo nacional, salientando a "desintegração do sujeito da poesia", característica que Eduardo Lourenço destacou em Pessoa, bem como a poética do desaparecimento e do vestígio, como marcas da obra de Pessanha - Clepsydra. A questão é analisada com mais profundidade e complexidade do que este apontamento sugere, mas deixemos a hermenêutica e ouçamos a palavra poética em todo o seu esplendor:
AO LONGE OS BARCOS DE FLORES
(A Ovídio de Alpoim)
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na escuridão tranquilla,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora
Na orgia, ao longe, que em clarões scintilla
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na escuridão tranquilla.
E a orchestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flebil... Quem ha-de remil-a?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora...
Camilo Pessanha, Clepsydra, Lisboa, Relógio d'Agua, 1995 (edição crítica de Paulo Franchetti).
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Interpretar os poetas
Os Poetas chegam aos seus leitores de múltipas maneiras; de facto não só de papel e olhar se faz a leitura, também a música e a voz são veículos felizes da palavra poética, que cativam tanto leitores habituais como outros mais arredios. Wordsong: Pessoa é um projecto que, reunindo várias artes (imagem, palavra e música), nos dá uma interpretação original e interessante de Fernando Pessoa:
Poema: Álvaro de Campos, "Opiário" [Excerto com pequenas transformações do original do heterónimo de Pessoa]
Música: Nuno Grácio, Pedro d'Orey [Wordsong: Pessoa]
Este projecto apresenta-se sob a foma de um livro acompanhado de um DADV (DVD e CD) e sobre ele escreve Richard Zenith, no Prefácio:
"Os Wordsong, evitando o meramente decorativo ou ilustrativo, criaram um universo musical - e também visual, com os vídeos originalíssimos de Rita Sá - a partir do universo escrito de Pessoa."
Wordsong: Pessoa, Lisboa, 101 Noites e Transformadores, 2006 (vídeo e ilustração de Rita Sá; prefácio e posfácio de Richard Zenith).
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