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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Linhagem

Lista de leituras para o tempo e os dias que virão:

Fernão Lopes
Gil Vicente
Sá de Miranda
Luís de Camões
Fernão Mendes Pinto
Diogo do Couto
Samuel Usque
Frei Luís de Sousa
António Ferreira
António José da Silva
António Vieira
Nicolau Tolentino
Bocage
Almeida Garrett
Camilo Castelo Branco
Eça de Queirós
António Nobre
Camilo Pessanha
Raúl Brandão
Aquilino Ribeiro
Tomaz de Figueiredo
Mário de Sá-Carneiro
Fernando Pessoa
Cassiano Ricardo
Irene Lisboa
Vitorino Nemésio
Sophia de Mello Breyner Andresen
Jorge de Sena
Saúl Dias
Renata Pallotini

Romanceiro tradicional

... e ainda mais. Caminho da felicidade.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Correspondência

Terminada a leitura de:
António José Saraiva e Luísa Dacosta: Correspondência, Lisboa, Gradiva, 2011 (edição, prefácio e notas de Ernesto Rodrigues).
Este livro constitui o segundo volume do tríptico epistolar de António José Saraiva, tendo sido publicado já o livro António José Saraiva e Óscar Lopes: Correspondência, Lisboa, Gradiva, 2004 (selecção, edição, prefácio e notas de Leonor Curado Neves, com a colaboração de Ana Sequeira de Medeiros); o terceiro incluirá as cartas dirigidas a Teresa Rita Lopes. Assinale-se que, se o livro de 2004 reproduz algumas cartas de Óscar Lopes, ainda que em número reduzido, o de 2011 apresenta apenas as cartas de Saraiva, de 22 de Abril de 1961 a 20 de Dezembro de 1965, não sendo, assim, possível a recepção directa das palavras de Luísa Dacosta, continuamente evocadas. Explicação para esta omissão nunca é dada ao leitor, pelo que resta lamentar e esperar por uma eventual edição futura da correspondência de Luísa Dacosta.

As cartas agora lidas têm como vocativo “Minha Amiga”, o que desde logo mostra a relação que unia os dois intelectuais, relação de grande amizade e colaboração, como se evidencia a cada passo da leitura, seja através da discussão de ideias, seja pelas referências a pesquisas que Luísa Dacosta realizava em Portugal a pedido do seu amigo exilado em Paris, seja pelo constante reconhecimento do apoio moral e prático dado pela escritora.
Para além da matéria privada e particular, observam-se nestas cartas as impressões de Saraiva sobre política, literatura, política, filosofia, bem como considerações relativas aos seus trabalhos em curso. Também a crítica aos escritos de Luísa Dacosta publicados, especialmente às suas Notas de Leitura saídas n’O Comércio do Porto, surge em várias missivas, incentivando o intelectual exilado a sua Amiga a continuar. A referência à actividade literária da escritora é escassa, pois esta era igualmente escassa, no que respeita a obras publicadas (o seu primeiro livro, Província, data de 1955; o segundo, Vovó Ana, Bisavó Filomena e Eu, será editado em 1969), todavia citam-se, a propósito, estas passagens significativas: “E como vai a sua actividade literária? Continua a pensar no livro de contos de que em tempos falámos? Dê-me notícias a este respeito.” (p.96); “Agradeço que me tenha enviado (e que continue a enviar-me) a sua prosa de ficção. Creio que o seu caso é o de quem oscila entre o ensaio e a ficção pura, e lembro que a sua originalidade talvez esteja na possibilidade de reunir ambas as virtualidades num só texto. Estarei vendo bem? É por isso que eu a encorajaria a cultivar o modo «impressionista» que tanto me agrada nas suas críticas literárias. Não se deixe tentar pelo «raciocinantismo» (de que não consigo desembaraçar-me). Mantenha nos seus ensaios aquela frescura com que reage e o azul do mar, e até aquele género de prosa que não se embaraça com articulados.” (p. 130)

Esta correspondência constitui, então, um documento de uma época, com as suas vicissitudes políticas, económicas e sociais, estéticas, literárias e filosóficas, na Europa e em Portugal, em geral, e da mundividência do intelectual português exilado, naqueles anos sessenta do século XX. Traz mais um contributo para o retrato de uma geração. No entanto, não é este o único benefício da sua leitura; permite uma compreensão maior da obra de António José Saraiva e da sua personalidade, assim como um vislumbre do estilo e da personalidade de Luísa Dacosta. The last, but not the least,  as cartas agora publicadas revelam a importância da amizade e do diálogo fecundo entre os dois Amigos, como esta passagem deixa perceber: “O seu apoio, de você, Luísa, tem-me sido extraordinariamente bom e estimulante. Mas não maldiga nem lamente o tempo que tem gasto a escrever-me. Eu preciso de uma compreensão que vá além das ideias, porque, como digo ao Óscar, estas não são mais que um revestimento provisório, e que a gente deve sempre estar disposto a mudar de uma atitude vital, dentro da qual deve fazer-se a nossa coerência. Não calcula como lhe estou grato pela sua compreensão (que não quer dizer necessariamente concordância), para além da expressão ideológica de que me revisto.” (p. 96)

A fechar estas notas de leitura, destaque-se um apontamento de António José Saraiva sobre o seu tempo e o papel dos intelectuais na realidade então vivida, pela pertinência que parece ter para os depressivos tempos actuais: "A que ritmo bate o coração português? Sabíamo-lo em 1940; não o sabemos hoje. Tudo tem de ser repensado. E, por isso, talvez o dever mais urgente do intelectual português seja o de pensar seriamente a nova realidade, pensar asceticamente, sem concessões de oportunidade, sem considerações que não sejam as do próprio vigor do pensamento. A época é de transformação e desintegração, e, por isso, também de consciencialização de uma situação nova." (p. 91)

sábado, 3 de dezembro de 2011

Vozes amadas - da poesia trovadoresca aos cantares populares

O primeiro poema é uma cantiga de amigo, uma das mais belas; as quadras também cantam o amor e os seus perigos, e desafios, pois então!


Sedia-m'eu na ermida de San Simion
e cercaron-mi as ondas, que grandes son:
     eu atendend'o meu amigo,

     eu atendend'o meu amigo!

Estando na ermida ant'o altar,
(e) cercaron-mi as ondas grandes do mar:
      eu atendend'o meu amigo,

      eu atendend'o meu amigo!

E cercaron-mi as ondas, que grandes son,
non ei (i) barqueiro, nen remador:
      eu atendend'o meu amigo,

      eu atendend'o meu amigo!

E cercaron-mi as ondas do alto mar,
non ei (i) barqueiro, nen sei remar:
      eu atendend'o meu amigo,

      eu atendend'o meu amigo!

Non ei i barqueiro, nen remador,
morrerei fremosa no mar maior:

      eu atendend'o meu amigo,
      eu atendend'o meu amigo!
    
Non ei (i) barqueiro, nen sei remar,
morrerei fremosa no alto mar:

      eu atendend'o meu amigo,
      eu atendend'o meu amigo!

Mendinho

Alexandre PInheiro Torres, Antologia da Poesia Trovadoresca Galego-Portuguesa, Porto, Lello & Irmãos Editores, 1987.



Estimo e estimarei,
sentada numa almofada,
a fiar continhas de ouro,
salta cá, minha esposada!


Uma quarta de sabão
pra lavar o coração.
Uma faquinha amarela
para cortar a goela.


O meu amor é José
e eu queria um Joaquim.
Com tanto home no mundo
algum há-de ser pra mim.


(Luísa Dacosta)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Alcachofras e exames

Estamos sempre a falar de exames. Que bom seria calarmo-nos todos, para lermos e aprendermos com gosto e de forma profunda. Ou então para saltarmos fogueiras e queimarmos alcachofras. Ainda se lembram?

(Imagem retirada da internet)


Não sendo possível fugir, nem a provas nem a outras provações, talvez as palavras de um escritor, que se diz de "um optimismo difícil", nos possam ajudar a calcorrear os dias com mais leveza:


"Pedi à Rosalia que cortasse algumas alcachofras para as queimarmos logo em boémia de S. João.
Tentativa de deixar alguma sedução do Passado ao Alexandre...

*
Já em Lisboa, a Maria põe entraves:
- Mas, Sr. Doutor: não há fogueira, para queimarmos as alcachofras.
- Não faz mal! Temos de acompanhar o progresso... Queimam-se no fogão de gás.
Para acompanhar outra evolução, o Alexandre, preocupado, propõe queimar a alcachofra que lhe compete, para saber se passará, ou não, no exame do 5º ano.
Protestamos todos em nome das nossas infâncias, quando o amor dependia de forças encantadas que arrancavam flores de espinhos.
- Que tem o amor com os exames, Alexandre?
(Os exames são só ódio.)"


"Sensação imprevista.
O ponto de exame de francês do 5º ano inclui um trecho da Enseada Amena do Abelaira, para verter para francês!
O Carlos:
- Os rapazes vão passar a odiá-lo, como odeiam o Camões e o Pessoa.
O Abelaira esfregava as mãos, de feliz:
- Que publicidade! Desta nem o Cardoso Pires se pode gabar!
[...]"

José Gomes Ferreira, Dias Comuns V: Continuação do Sol, Lisboa, D. Quixote, 2010 (Diário - 1 de Junho de 1968 a 22 de Setembro de 1968).

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

poesia 61 - a voz dos poetas

Hoje, a ouvir Gastão Cruz e Casimiro de Brito sobre a poesia 61, e a lembrar tantos poemas lidos com tanto gosto!

poesia 61: Casimiro de Brito, Fiama Hasse Pais Brandão, Gastão Cruz, Luiza Neto Jorge, Maria Teresa Horta.

O primeiro encontro, em 91 - Gastão Cruz, As Leis do Caos:

I'm far from being a pessimist. I see life
as a gorgeously-ironical, beautifully-indifferent,
splendidly suffering bit of chaos.

Eugene O'Neill (carta; 1923)

[Epígrafe do livro]


O ADJECTIVO

Na superfície o adjectivo brilha
O seu rosto reflecte a luz do dia
e cobre os nomes com um céu proibido


Gastão Cruz, As Leis do Caos, Lisboa, Assírio e Alvim, 1990.

sábado, 12 de novembro de 2011

Olhai e vede como se estivésseis presentes

Hipotipose

Uma das mais belas figuras de estilo, ontem relembrada. O E-Dicionário de Termos Literários (Carlos Ceia) define-a assim:

"Descrição entusiástica, dinâmica e animada de uma pessoa, coisa ou acção, em regra ausente no momento da descrição, mas cuja presença é assumida de forma fantástica. Quintiliano prefere designar esta figura como ilustração vívida (Institutio Oratoria, IX, ii, 40-44), atribuindo a Celso a designação grega, que traduziria qualquer representação enérgica de factos, de tal forma que se criaria uma ilusão óptica de realidade. [...]"

Sonho

Com confiança na linguagem e na sua capacidade de nos tornar presentes mundos oníricos, voemos para lá da noite, na companhia de um belo pássaro lunar e destas palavras mágicas:

"Magicamente, o pássaro transformou-se. Deviam ser assim  as aves do paraíso. Eram com certeza. O corpo lunar recolhia, agora, todos os reflexos da luz da manhã clara e devolvia-os numa brita lantejoulada, de arco-íris. E a menina pôs-se a amá-lo tanto que sempre que o seu coração anoitecia entrava no corpo luarento e espelhado e voava pela janela.

Que estranhas eram as noites! E que bom era voar! Não havia limites: tudo era amplo, liberto, sem fim. Espaços ora sombrios e nevoentos, ora floridos de estrelas, sucediam-se num deslumbramento. Aos pontos luminosos da noite, respondiam outros pontos, luminosos, na Terra. Eram as casas, os navios, as cidades dos homens que, vistas assim de cima, pareciam enormes teias de aranha, preciosamente orvalhadas. Os faróis dos carros, os comboios riscando as trevas, semelhavam estrelas cadentes. E a menina aventurava-se cada vez mais e mais. Subia e respirava aquela liberdade única: a do sonho."


Luísa Dacosta, Menina Coração de Pássaro, Porto, Asa, 2002.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

Manuel da Fonseca e o Neo-realismo




Sabe bem aprender. Foi o que aconteceu no congresso internacional Manuel da Fonseca: Por todas as estradas do mundo. Conferências e comunicações interessantíssimas, que deram à leitora outra possibilidade de entendimento do poeta e do escritor, bem como do Neo-realismo, período em que se insere. O resultado é a vontade de reler o pouco que conhece deste autor - O Fogo e as Cinzas, quase nada - e de descobrir a sua poesia. Deu uma volta às estantes, e nada!

Têm por aí algum poema de Manuel da Fonseca? Um vosso preferido, que aconselhem?

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Interpretar os poetas

Os Poetas chegam aos seus leitores de múltipas maneiras; de facto não só de papel e olhar se faz a leitura, também a música e a voz são veículos felizes da palavra poética, que cativam tanto leitores habituais como outros mais arredios. Wordsong: Pessoa é um projecto que, reunindo várias artes (imagem, palavra e música), nos dá uma interpretação original e interessante de Fernando Pessoa:




Poema: Álvaro de Campos, "Opiário" [Excerto com pequenas transformações do original do heterónimo de Pessoa]

Música: Nuno Grácio, Pedro d'Orey [Wordsong: Pessoa]

Este projecto apresenta-se sob a foma de um livro acompanhado de um DADV (DVD e CD) e sobre ele escreve Richard Zenith, no Prefácio:

"Os Wordsong, evitando o meramente decorativo ou ilustrativo, criaram um universo musical - e também visual, com os vídeos originalíssimos de Rita Sá - a partir do universo escrito de Pessoa."

Wordsong: Pessoa, Lisboa, 101 Noites e Transformadores, 2006 (vídeo e ilustração de Rita Sá; prefácio e posfácio de Richard Zenith).

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ler com muito gosto

Ler os poetas, amar as palavras: António Nobre, Camilo Pessanha, Ruy Belo, Carlos de Oliveira, Eugénio de Andrade...

Interessante depoimento de Paula Morão sobre a leitura, e em especial sobre a leitura em voz alta, no PNL TV (Plano Nacional de Leitura):

http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/pnltv/index.php?idVideo=52

sábado, 10 de setembro de 2011

Amar os livros

Hoje lê-se um ensaio luminoso e esclarecedor de Paula Morão: "A leitura - Cidadãos e peso, obrigação e prazer". Um excerto:

"[...]
Na mesma direcção se situa o primeiro fragmento d' "O livro", a abrir A Invenção do dia claro, que Almada Negreiros publicou m 1921; sigamo-lo:

Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria.
Deve certamente haver outras formas de se salvar uma pessoa, senão estou perdido.
No entanto, as pessoas que entravam na livraria estavam todas muito bem vestidas de quem precisa salvar-se.

Anote-se o carácter salvífico do livro e da leitura, espécie de condenação feliz, tarefa jubilosa de uma vida inteira. A livraria - e a biblioteca (acrescentamos nós) - configura-se como um limbo a caminho do paraíso: a multidão de livros salva ou condena, mas seja como for ocupa toda a duração de uma vida, como uma actividade constante. Para além da ironia deste fragmento, podemos vislumbrar aqui uma concepção de leitor, como aquele cujo percurso vital é marginado por livros da mais variada índole e de variegadas funções, desde a companhia à aprendizagem de um qualquer saber, desde a descoberta do Outro à confirmação do mundo que já se conhece e à abertura a mundos imaginários, ou a mundos outros, utópicos, com os quais os escritores e os artistas constroem alternativas ao real, sonhando-o diferente e melhor. Por isso são tão atraentes os livros de ficção que falam de mundos muito diversos daquele que nos é familiar - pense-se por exemplo no encanto das epopeias, dos heróis carismáticos com que sonhamos por neles nos reconhecermos; ou pense-se nos romances de aventuras passadas em cenários que temos de inventar e modelar diante dos nossos olhos universos que ultrapassam o que nos é familiar. Eis aqui, precisamente, uma das principais funções do livro e em especial da literatura (mas também do livro científico), a de estimular a imaginação, criando cada leitor, em suplemento ao que lê, figuras e cenários. Daí que muitas vezes seja decepcionante ver, em adaptações para cinema ou outras formas artísticas, as nossas personagens incarnadas por actores muito diferentes do que tínhamos imaginado - é este o Rei Artur?, é este o rosto de Heathcliff, de Orlando, de Camões, de D'Artagnan, de Guinevere, de Natacha Rostova, de Tadzio? É esta a figura de Carlos da Maia, é este o inspector Elias com seu lagarto Lizardo, é este Aquiles, é este Ulisses? É este o vulto de Pessoa, é esta a sua voz?
Cada um multiplicará os exemplos em função da sua enciclopédia e da sua memória pessoal. O que quero sugerir é que personagens e cenários como os que aqui evoco são parte do que o leitor-pessoa que eu sou se foi fazendo, ao longo dos anos que cada sujeito leva de amador de livros, neles criando mundo e se constituindo como ser pensante e como cidadão do mundo. Falo de um leitor que incorpora e faz seu um conjunto de personagens que vive como suas, que decorrem naturalmente da sua vida, a moldam e lhe dão sentido, surgindo nas suas frases como entes familiares. Falo de um leitor espesso, de um leitor com uma memória tecida de seres de papel e "das emoções linguísticas" (como lhes chama Gastão Cruz), falo, em suma, daquele leitor que nem tem consciência de carregar consigo e dentro de si uma tradição, uma linhagem que lhe definem o retrato bem desenhado. [...]"

[Nesta citação, omitiram-se as notas presentes no texto]

Paula Morão, "A Leitura - Cidadãos e pessoas, obrigação e prazer" in O Secreto e o Real: Ensaios sobre Literatura Portuguesa, Lisboa, Campo da Comunicação, 2011.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ecos e citações

A propósito dos vasos comunicantes da voz humana, literária ou não, evocam-se aqui estas palavras de Teolinda Gersão:

"Na pág. 78 a definição de arquitectura e a frase «as cidades como fruta podre...» são de Le Corbusier, a pág. 131 inclui um passo das Memórias de Raul Brandão.
O resto do texto também não é meu. De diversos modos foi dito, gritado, sonhado, vivido por muitas pessoas, e por isso o devolvo, apenas um pouco mais organizado debaixo desta capa de papel, a quem o reconheça como coisa sua.
T. G."

[Pórtico (?) do romance]

Teolinda Gersão, Paisagem com mulher e mar ao fundo, Lisboa, O Jornal, 1985. [Belíssimo título!]



sábado, 30 de julho de 2011

Frutos e gentilezas

Para Ujm, in heaven


Melão
no orvalho da manhã
fresco de lama



Matsuo Bashô, O Gosto Solitário do Orvalho, Lisboa, Assírio & Alvim, 1986 (versões de Jorge Sousa Braga). 


segunda-feira, 18 de julho de 2011

Para meditar:

O professor de Português e a leitura

Chegou hoje um livro fundamental sobre a leitura e a literatura portuguesa, a ler demoradamente, nos dias quentes que se aguardam. Aqui fica um apontamento para meditação:


"A responsabilidade do professor de Português exige que ele seja um profissional informado (quer dizer, que sabe muito mais do que aquilo que utiliza e mostra no seu trabalho quotidiano de docência) e entusiasmado (quer dizer, desenvolvendo em si próprio e nos seus alunos a capacidade de aprender com alma, com alegria). Por isso mesmo, o professor de Português não pode limitar-se a glosar os manuais e os livros do professor que os acompanham, nem a transmitir aos seus alunos, mas em versão reduzida, conhecimentos adquiridos ao longo do seu processo de formação. Lendo os ensaístas e os críticos como Eduardo Lourenço, e continuando a lê-los ao longo do nosso percurso de professores, tornar-se-á evidente que o saber que da leitura nos vem constitui uma actividade vital. E que ler poesia é estar apto a pensar-nos no mundo, é, em suma, viver melhor - porque, como aprendemos com Eduardo Lourenço, a poesia é a realidade, enigmática e luminescente como a Esfinge ou como a face de um antigo deus."


Paula Morão, "A Poesia como Realidade - Eduardo Lourenço e o Ensino do Português" in O Secreto e o Real: Ensaios sobre Literatura Portuguesa; Lisboa, Campo da Comunicação, 2011, p. 40.

Das leituras escolares obrigatórias

A propósito da ausência de Camilo no currículo escolar  (de Camilo Castelo Branco, entenda-se, que do outro, Camilo Pessanha, quase todos se esquecem), escreveu esta leitora:


 Todos temos crenças sobre as leituras escolares e as consequências das obrigações implicadas. Diz-se que o dever impede a criação de leitores daquele autor clássico lido a contragosto, muitas vezes sob a forma de resumo...
Ora, se esta ideia será visível em certos casos, noutros é exactamente ao contrário. Há quem tenha gostado muito de Herculano, nos seus dezasseis, dezassete anos, e não tenha gostado nada de Cesário, por exemplo, e que, mais tarde, se tenha tornado leitora de ambos, especialmente do último. Na minha perspectiva, o que condiciona indelevelmente o futuro é a ignorância e a insistência nela, em nome do prazer (na sua dimensão lúdica, apenas) ou do útil. Assim, ainda mais chocante que a ausência de Camilo nos programas de Português é a rasura da poesia trovadoresca, de muitos dos clássicos da nossa literatura e a indefinição quanto à poesia do século XX, a que alguns chamaram o século de ouro da poesia portuguesa. E todo este silenciamento para quê? Para se introduzirem os textos utilitários, tais como requerimentos, regulamentos e quejandos?
[...]

terça-feira, 10 de maio de 2011

Livros

Novas leituras:

- Catarina Nunes de Almeida, Bailias, Porto, Deriva, 2010. [poesia em diálogo com as cantigas de amigo, com interessantes ilustrações de Sandra Filipe]
- Cláudia Clemente, A Fábrica da Noite, Lisboa, Ulisseia, 2010. [contos, para já inesperados e a continuar]

Vozes conhecidas:

- Cristovam Pavia, Poesia, Lisboa, D. Quixote, 2010.
- Nuno Júdice, O Complexo de Sagitário, Lisboa, D. Quixote, 2011.

Para ouvir, sons erradicados dos lugares de crescer:

- Cantigas de Amigo

sábado, 23 de abril de 2011

Dia Mundial do Livro

Recordaram-me que dia de Páscoa era dia de ofertar. Sendo hoje dia mundial do livro, fiz dois embrulhos: o primeiro recheado com um livro da minha vida, de tão doce memória - O Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro - e com a peça Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett, esta para que a menina espante colegas; o segundo, para a outra menina, cuja maioridade pede subtilezas, leva O Conde de Abranhos, do grande Eça de Queirós. Vai bem servida a cesta pascal, na expectativa  de que a beleza das histórias e o esplendor da língua adocem os recalcitrantes corações adolescentes.