Cito, a
propósito do caráter formativo da literatura e do valor seminal da literatura
tradicional, esta passagem de Fernando J. Fraga de Azevedo (2004)*:
De
facto, à literatura tradicional oral, a escrita literária para a infância foi
buscar, entre outros aspectos, o acreditar na possibilidade da superação dos
limites, quaisquer que eles sejam, por meio de processos que, afirmando
conceptualmente o direito à imaginação, o concretizam ora pela faculdade de simbolização,
ora pela subtração da palavra a usos exclusivamente utilitários e imediatos.
Nesta perspectiva, lendas, mitos, fábulas e
contos […] permitem presentificar o Outro e mostrar que, graças à natureza
simbólico-conotativa do mundo possível criado pelo texto, o Outro mantém uma
comunhão íntima e dialógica com o Eu.” (14)