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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Férias (fim)

Últimas leituras?

É o reencontro com a literatura norte-americana (gosto tanto, tanto), a revisitação de Adriano Moreira e do seu lúcido pensamento, que transporta esperança, por fim, uma passagem por Herman Hesse. Por agora, fico com  Philip Roth, A Mancha Humana.




domingo, 21 de agosto de 2016

Regresso a casa

Vista panorâmica da exposição "As casas na coleção do CAM",
no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.

Vista não panorâmica de uma casa portuguesa.

terça-feira, 12 de abril de 2016

"história da literatura com caracóis e uma imperial"

O título desta entrada é de J.D, a propósito de uma fotografia no Facebook, de uma história da literatura antiga e de Ana Hatherly, autora do poema citado:


os caracóis e as carpas têm cornos

os caracóis e as carpas têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carpas e os caracóis não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracoias e os carpos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os carapoicos e os parcos não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carapaias e os porcos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracoicos e as parras não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carassaias e os parcas têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracorpos e as praias não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracaias e os poicos têm
vês

Ana Hatherly
um calculador de improbabilidades
Quimera
1ª edição 2001

sábado, 21 de novembro de 2015

Lisboa, a Bela

Regresso à cidade uma vez por outra. Compro sapatos, um ou outro livro. Reencontro ou descubro lugares, iluminados. As conversas, a vida, acompanham os passos, os temperos suaves e a luz. É tão bom haver sol.


Chez De Groote
O mesmo lugar, outro ângulo

Príncipe Real 

Para além da praça

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Boogie woogie



Piet Mondrian. Broadway Boogie Woogie. 1942-43
(MoMa)
Lia uma reportagem sobre a apetência por jogos eletrónicos (Rui Pelejão. "O comando é delas". Notícias Magazine, 09/11/2014) e sentia-me a ajuizar. E se suspendêssemos os juízos e antes nos abríssemos à infinita variedade humana? 

sábado, 27 de setembro de 2014

Os Maias (João Botelho)


Hoje foi dia de «Os Maias», de Eça de Queirós, lido e realizado por João Botelho. Recomendo, é um belíssimo filme. Porém, quem for ao cinema tenha em conta que o livro e as imagens que criou quando leu o romance não estão no ecrã. É outra coisa. Mesmo que o texto seja dito, filmado, recriado, nunca é o nosso livro, especialmente quando é um dos preferidos, lido e relido, por gosto e/ou por dever de ofício. Mas vale a pena. Em família, para além de uma reflexão sobre a «portugalidade», pode proporcionar uma revisitação da adolescência e a descoberta de que alguém faltou a algumas aulas de Português!





Fotografias retiradas de Ar de Filmes.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Em Lisboa ouvem-se todas as línguas

Para DClem, ausente no paraíso

Está cada vez mais bela esta nossa cidade! Diversa, cheia de gente de várias proveniências, com as suas línguas, ritmos e cores. Moderniza-se, retoma universalidade.

Muitos dirigiam-se às margens do Tejo, convidativas, cada vez mais um espaço para os lisboetas e os seus visitantes.

Terreiro do Paço
Praça do Comércio

Cais das Colunas

Ribeira das Naus
E este barquito? O que é, de onde vem, para onde vai? Uma falua não é, e uma caravela não repousa assim...

"Trafaria Praia", de Joana Vasconcelos


quinta-feira, 17 de abril de 2014

So awesome!

André Carrilho
Jon Hamm as Don Draper
Cover illustration for the Arts&Books supplement of the Independent on Sunday
andrecarrilho.tumblr.com



quinta-feira, 20 de março de 2014

A Primavera chega hoje às 16:57, dizem.

Dirk Stoop, Terreiro do Paço no Século XVII - 1662 
(Museu da Cidade)

A esta hora entre os blocos de prédios enevoados
          a bela mancha diurna dos calceteiros na praça
e os dois amantes que hoje não dormiram vão partir nos
          braços da sua estrela
à beira do caminho ladeado de sebes de espinheiro
uma carta
uma letra muito fina             extremamente caligráfica
onde a aventura do homem que devolve as palavras que
          lhe são remetidas
deixou a sua marca
e o duque da terceira levanta o braço
comentado de seguida pelas aves que acordam a duzentos e
          mais metros de altura
o que não é ainda grande altura
sim sim
                        não não
                                                     quem sabe

[...]

Mário Cesariny, o primeiro livro de Mário Cesariny - Corpo Visível: Poema - Assírio e Alvim e Fundação Cupertino de Miranda, 2010.


Intervenção de Cruzeiro Seixas no seu exemplar dedicado de Corpo Visível.
Este postal foi publicado por ocasião de:
Mário Cesariny - Encontros IV
Fundação Cupertino de Miranda, Famalicão, 25 a 27 de Novembro de 2010.

domingo, 16 de março de 2014

Poesia

Hoje, o sol esplendecia, abriam-se as janelas, abriam-se as flores nos raminhos, abriam-se as simpatias. Até o Facebook foi invadido por fotografias solares: as pessoas saíram das suas casas para passear na praia, no campo, nos jardins das cidades ou para praticarem desporto, com destaque para as caminhadas e as voltas de bicicleta. Nessa ágora digital, a meteorologia também acordou a veia poética dos amigos da Primavera, que criaram correntes de poesia. A esta leitora chegaram palavras de Régio, enquanto dos seus dígitos voaram versos de Sophia...

Já ontem, na Revista do Expresso, José Tolentino Mendonça se demorava na casa da poesia, particularmente em Adélia Prado, Manoel de Barros e Ferreira Gullar. Cita, de Manoel de Barros, estas palavras:

"parece que o poeta serve para desacomodar as palavras . Não deixar que as palavras se viciem no mesmo contexto... Usar as palavras para ampliar o mundo há de ser outro milagre da poesia. Uma das regras importantes da poesia é não ser demonstrativa. Poesia não presta para demonstrar nada. Ela só presta para dar néctar."

"Que coisa são as nuvens: Não sabíamos que está dentro de nós", Expresso: Revista, 15/03/2014. 

(Não me canso de ler estas crónicas do poeta português. Às vezes, é mesmo a única razão que me leva a comprar o Expresso. Que beleza e que sabedoria!) 

Termina esta entrada do blogue com Joaquim Manuel Magalhães, e um poema solar, ainda que sob o signo da melancolia:

E chamo à juventude a melancolia
a beira-rio, o barco de muitos mastros
que ninguém navega, a deriva
na prisão dos olhares. Uma vez,
saí da cidade para a aldeia costeira.
Cantavam. Perguntou
o que era o jantar, apanhou canas,
com um golpe de rins soltou um ramo
da macieira. A luz recebe a luz
do seu corpo deitado. O clarão do mar
move-se na sua voz,
à distância, seu.

Joaquim Manuel Magalhães, uma luz com um toldo vermelho, Lisboa, Presença, coleção Foma, 1990.

Belas palavras. Com elas vou, e fico com o golpe de rins no olhar.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Paisagem matinal

O Jardim do Museu Nacional de Arte Antiga é um lugar lindíssimo. Hoje, de manhã, estava resplandecente; este sol primaveril, súbito, inundava-o de luz e convidava a estar, apreciar e fotografar. 


Não era só o restrito espaço do Jardim que agradava. A paisagem, com o porto, o Tejo e a Outra Banda, estava deslumbrante, está sempre, mas hoje especialmente.


A exposição - Rubens, Brueghel, Lorrain: A Paisagem Nórdica do Museu do Prado - completou-se com a vista lisboeta, linda e luminosa. Se procurasse um traço unificador destas diferentes paisagens que, simultaneamente, as distinguisse, escolhia a luz, sim, a luz. 

A paisagem nórdica ou a paisagem ao modo italiano (última sala, à parte) apresentam uma luminosidade muito diversa: os últimos quadros, tons mais intensos, marcados pela luz mediterrânica; as paisagens dos Países Baixos, uma luz fininha, que só se pode entender naquelas paragens. Recordo-me, a este propósito, da emoção que senti a primeira vez que visitei a Holanda, via, ou sentia, nem sei, como nunca, as cores e a luz de Vermeer, pintor da minha predilecção. Aqui, para além desta diferença, entre a luz nórdica e a mediterrânica, evidenciava-se, também, a singularidade da luz de Lisboa, tão atlântica, tão acolhedora, tão bela.


Não é o lugar ideal para um café e um queque de maçã? Fica o convite.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Má raça

Tiro os brincos, dispo as vestes pudicas e burras, fico com as botas altas. E leio livros negros.




escrevo-te em vidro
por assim achar que
desenho
o cálculo efémero das possíveis transparências mas
o pé descalço sobre a linha sofre
as cócegas das hastes cegas da
palavra
correndo destinos que desaguam no
soalho atapetado pelos jornais
do dia pudico e burro


João Paulo Cotrim (poemas) e Alex Gozblau (ilustrações, design e logótipo convidado), má raça: 22 canções, Lisboa, Abysmo, 2012.

Na fotografia vê-se parte da capa do livro: João Paulo Cotrim e António Cabrita, O branco das sombras chinesas: divertimento, Lisboa, Abysmo, 2011 (ilustracões de João Fazenda).


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Do ferro e outras escapadelas

Rui Chafes no CAM - Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian - O Peso do Paraíso - 13 de Fevereiro a 18 de Maio.


O dia estava soalheiro, ao contrário do habitual, óptimo para uma corrida ao CAM. Queria ver esta exposição e não me arrependi, mesmo que tivesse de fintar o tempo. Rui Chafes apresenta uma mostra antológica, com várias peças surpreendentes pela sua singularidade e pela leveza. De facto, não esperava que o ferro pudesse expressar tanta delicadeza, nas suas curvas e redondas formas; ainda assim, a sugestão da violência, geralmente associada a esta matéria, não estava ausente: penso nas pernas-botas suspensas, nos objectos longos, a lembrar alfaias agrícolas ou de guerra, nas argolas (de prisioneiros?), no que pareciam ser cintos de castidade...


Enquanto passava pela nave central do CAM, onde está a parte principal da exposição, antevia as esculturas que estão no jardim, espaço pelo qual a mostra se prolonga. Parece-me que estas peças ganham em estar fora do museu, ganham outra vida e têm uma intensidade maior em diálogo com a natureza e outras formas de vivência humana.




Para além de Rui Chafes, João Tabarra também expõe no CAM - Narrativa Interior - 13 de Fevereiro a 18 de Maio.

Não conhecia. Gostei, pelo humor, pela auto-ironia, pelo olhar crítica sobre si próprio e o mundo. Aqui ficam duas fotografias que o revelam:



No final, um café no bar, à sombra destas duas esculturas de Rui Chafes; em primeiro plano vê-se a peça "A minha vida que acabará no dia em que principiar" (Ferro, col. do Artista, 2013). Belo título, não é?


Palavras de Rui Chafes sobre a sua obra, no Público: 


domingo, 22 de dezembro de 2013

Boas Festas!

A todos, desejo um Feliz Natal e um Bom Ano Novo!
 

Josefa d' Óbidos, A adoração dos pastores

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Letters of Note

"My husband is not a common man"

Interessante carta de George Bernard Shaw a uma admiradora insistente, simulando ser a sua mulher. Muito interessante.
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O filme já é outro ...

A leitora foi à praia, para lá do Tejo. Foram dias muito bem passados, a costa vicentina é mesmo linda; não se enganaram Rui Veloso e Carlos Tê. 




"Porto Côvo" (1986)
 
Rui Veloso e Carlos Tê

Roendo uma laranja na falésia
Olhando o mundo azul à minha frente,
Ouvindo um rouxinol na redondeza,
No calmo improviso do poente

Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as aguas brilham como pratas
E a brisa vai contando velhas lendas
De portos e baías de piratas

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

A lua já desceu sobre esta paz
E reina sobre todo este luzeiro
À volta toda a vida se compraz
Enquanto um sargo assa no braseiro

Ao longe a cidadela de um navio
Acende-se no mar como um desejo
Por trás de mim o bafo do destino
Devolve-me à lembrança do Alentejo

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando à minha frente o azul escuro
Podia ser um peixe na maré
Nadando sem passado nem futuro

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo
 

domingo, 7 de abril de 2013

360º Ciência Descoberta

Outra exposição interessantíssima, a não perder. Está na Fundação Calouste Gulbenkian até 2 de Junho; surpreende, ensina, alegra (e de tanta alegria precisamos nestes dias de chumbo). Aqui fica o vídeo promocional, protoganizado pelo comissário desta mostra, Henrique Leitão.
 
 

domingo, 31 de março de 2013

Por um grão de romã


Dante Gabriel Rossetti, Proserpine, 1874, Tate Gallery
 
Os mortais desesperam com este Inverno tão longo. Por que tarda Perséfone?
 
Diz a narrativa mítica que, após Hades ter raptado Cora, Deméter se recusou a ocupar o seu lugar no Olimpo e na ordem do mundo, a fim de carpir a sua dor e de procurar a sua amada filha, provocando, assim, um interminável Inverno, agreste e carente. Só a intervenção de Zeus apaziguou o desespero da deusa, prometendo-lhe a restituição da jovem, caso esta não tivesse provado qualquer alimento dos territórios infernais. Mas como resistir à tentação da sombra? Perséfone ingerira um grão de romã, o que para sempre a ligaria ao tenebroso mundo subterrâneo; seria restituída à luz e ao mundo florido da superficie, sim, mas só sazonalmente. Desta forma, Deméter teria de esperar o regresso da rainha dos Infernos a cada Primavera e, só nessa altura, libertaria as energias vitais necessárias à regeneração e reprodução da natureza e dos homens.
 
Este ano a espera parece infindável. O que retém a bela rainha? Dizem que se demora em inusitados preparos, que Hades hesita em deixá-la partir, dizem que outro deus a levou. Tantos dizeres, e a terra ansiando pela sua chegada vivificante!
 
 
(da internet, de autor desconhecido)
Dizem que esta é a deusa, em seu recato...