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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A cada um a sua





A Minha Amante

"....................... a dor
só lhe perco o som e a cor
em orgias de morfina!"

Dizem que eu tenho amores contigo!
Deixa-os dizer!...
Eles sabem lá o que há de sublime,
nos meus sonhos de prazer...

De madrugada, logo ao despertar,
há quem me tenha ouvido gritar
pelo teu nome...

Dizem - e eu não protesto -
que seja qual for
o meu aspecto
tu estás
na minha fisionomia
e no meu gesto!

Dizem que eu me embriago toda em cores
para te esquecer...
E que de noite pelos corredores
quando vou passando para te ir buscar,
levo risos de louca, no olhar!

Não entendem dos meus amores contigo -
não entendem deste luar de beijos...
- Há quem lhe chame tara perversa,
dum ser destrambelhado e sensual!
Chamam-te o génio do mal -
o meu castigo...
E eu em sombras alheio-me dispersa...

E ninguém sabe que é de ti que eu vivo...
Que és tu que doiras ainda,
o meu castelo em ruína...
Que fazes da hora má, a hora linda
dos meus sonhos voluptuosos -
Não faltes aos meus apelos dolorosos...
- Adormenta esta dor que me domina!

Junho - Poente
1922

Judith Teixeira, Poemas: Decadência, Castelo de Sombras, NVA, Conferência DE MIM, Lisboa, & etc, 1996.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Três poemas de amor para Lisboa


CANTIGA DE AMIGO

JOAN ZORRO


   En Lixboa, sobre lo mar
barcas novas mandei lavrar,
   Ai mia senhor velida!

   En Lixboa, sobre lo ler,
barcas novas mandei fazer,
   ai mia senhor velida!

   [B]arcas novas mandei lavrar
e no mar as mandei deitar,
   ai mia senhor velida!

   [B]arcas novas madei fazer
e no mar as mandei meter,
   ai mia senhor velida!




LISBOA

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN


Digo:
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver




POENTES DE LISBOA

MANUEL ALEGRE


Os poentes de Lisboa sabem a
Ocidente
há neles um barco antigo a partir para
o reino ausente.

Os poentes de Lisboa trazem um
sentimento de grande nostalgia
há neles alguém que vem de mar nenhum
carregado de Tejo e de melancolia.

Os poentes de Lisboa são quer se
queira quer não
uma canção partindo-se partindo-se.

Os poentes de Lisboa intensamente
são
o Ocidente.




Mário Cláudio, Nas Nossas Ruas, Ao Anoitecer: Antologia de Poesia sobre Lisboa com um pormenor de uma pintura de Carlos Botelho, Porto, Edições Asa, 2002.

domingo, 12 de junho de 2011

À janela, a ver a procissão

... ou outras vistas, mais e menos interiores...


Helena Almeida

Melancolia, mal do Eu

Em dias assim...

Matéria lírica, a dor
e o amor. Amados
sofremos porque
não o somos bastante.
Melancolia, mal do Eu.

Ana Marques Gastão, Nocturnos, Lisboa, Gótica, 2002.  


Erik Satie, Nocturnes


Frédéric Chopin, Nocturnes

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Corpo e Melancolia


  

Recordar Francesca Woodman

Aqui e ali, lêem-se rabiscos, inscrições, que nos trazem à lembrança artistas adormecidos num quotidiano de tarefas e obrigações burocráticas. Foi o que aconteceu com a fotógrafa Francesca Woodman e a sua inquietante obra: o corpo, sujeito e objecto, a melancolia, a identidade esquiva, o tempo e o espaço em deriva...

(Leituras breves aqui e aqui.)