sexta-feira, 19 de abril de 2013

Clarice iridiscente

 

"Mas possuía um milagre, sim. O milagre das folhas. Estava andando na rua e do vento lhe caíra exatamente nos cabelos: a incidência de linha de milhões de folhas transformada em uma que caía, e de milhões de pessoas a incidência de reduzi-lo a ela. Isso lhe acontecia tantas vezes que passou a se considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tirara a folha dos cabelos e guardara-a na bolsa, como o mais diminuto diamante. Até que um dia, abrindo a bolsa, encontrara entre os mil objetos que sempre carregava a folha seca, engelhada e morta. Jogara-a fora: não lhe interessava o fetiche morto como lembrança. E também porque sabia que novas folhas iriam coincidir com ela. Um dia uma folha que caíra batera-lhe nos cílios. Achou então Deus de uma grande delicadeza."
 
 
Clarice Lispector, Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, Lisboa, Relógio d'Água, 2013 (1ª ed. 1969).

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A propósito do novo manual de Filosofia: "Razões de Ser - 10º Ano"

António Correia Lopes, Pedro Galvão e Paula Mateus,
Razões de Ser - Filosofia 10º Ano, Porto, Porto Editora, 2013.


Aproxima-se a época de escolha de manuais escolares. Este ano não há escolhas para Português (no ensino secundário, bem entendido), mas nem por isso fica a leitora e professora indiferente a estes instrumentos de trabalho, que têm o poder de facilitar ou de dificultar grandemente o decurso das aulas.
Neste sentido, foi com interesse que se deparou com o livro de Filosofia atrás mencionado, ainda que o respectivo conteúdo esteja longe da sua matéria. Apreciou, desde logo, a sobriedade do volume, equilibrado no cromatismo, nos diferentes tipos de letra, na alternância entre o discurso dos autores do manual (predominante), o dos filósofos e as diferentes tipologias de questões e de actividades, devidamente marcados. Destes aspectos gráficos, destaca-se a justeza das imagens, pertinentes e referenciadas no corpo do texto. Na secção dedicada à estética - "A dimensão estética: análise e compreensão da experiência estética" -, é bem evidente este uso adequado e educativo da imagem, correspondendo as reproduções a obras tão diversas como o David, de Miguel Ângelo, O Café Nocturno, de Van Gogh, a Fonte, de Duchamp, As Meninas d' Avignon, de Picasso, uma capa de As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain, ou uma paisagem crepuscular de um qualquer fotógrafo kitsch, digo eu. Assinala-se, ainda, a correcção e elegância da escrita deste manual. O livro em consideração, contudo, não está isento de mácula. Ela está presente nos separadores das várias secções, tão distantes da elegância das restantes páginas! Imagino que estas ilustrações correspondam a qualquer imposição da editora, considerando o contraste com o conjunto do compêndio e considerando a recorrência deste tipo de desenhos nos vários manuais da Porto Editora, como, por exemplo, nos manuais de Português. Dispensava-se.
As ditas ilustrações, aliás, parecem corresponder a uma tendência verificada nesta e noutras editoras de manuais escolares para infantilizarem os alunos. A bonecada é muita, assim como infinda é a procura de frases curtas e de textos igualmente pequenos. Compreendo que, por vezes, custa elevar o discurso e a qualidade da matéria de ensino, mas também acredito que esse é o dever do professor, e dos manuais, claro. Acresce que, não raro, os jovens correspondem ao que lhes é pedido; quando isso não se verifica, pelo menos ficam a saber que há mais mundo para lá do seu contexto restrito.
 
  


Ao longo da minha carreira, trabalhei com dois manuais que correspondiam ao que considero um bom instrumento de trabalho, facilitador da aprendizagem e do crescimento cognitivo e emocional dos Meninos: a Antologia (Garrido et alii, Antologia: 10º Ano, Lisboa, Lisboa Editora, 2003 - revisão científica de Paula Morão) e a Sinfonia da Palavra (Gomes e Baptista, Sinfonia da Palavra 7, Porto, Edições Asa, 1992- supervisão científica de Vítor Manuel Aguiar e Silva). A Sinfonia da Palavra foi mesmo o meu livro de sonho. Excelentes os textos, interessante a relação entre eles, óptimos os desenhos, ainda melhor o espaço livre das páginas! Tão longe.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Expansão portuguesa: novas doenças e novas curas

 
 
Germano de Sousa, História da Medicina Portuguesa durante a Expansão,
Lisboa, Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2013.
 
"Sou de opinião que a chamada pequena história, a história do quotidiano, a história de uma ciência ou de um determinado sector da sociedade, torna mais percetível e esclarece melhor a grande História. Sou também dos que se honram da sua profissão e, como tal, gosto de investigar e divulgar o seu passado, seguindo aliás, e com humildade, o exemplo maior de notáveis médicos historiadores que desde o século XIX têm abordado aspetos diversos da história da medicina portuguesa ao tempo da Expansão, como Maximiano de Lemos, Luís de Pina, Augusto Silva Carvalho, Ferreira de Mira, Mário Carmona, José de Vasconcelos e Menezes e outros.

Com este livro procurei fazer uma reflexão sobre o que foi a história da atividade médica e assistencial em Portugal e nas terras descobertas durante um período tão intenso e extraordinário da sua história e da história do mundo, época única na qual o nosso país foi um dos principais atores. Por um lado, saber como era ser médico nessa altura, quais eram a sua formação, os seus conhecimentos e a sua prática. Depois, lembrar como foram e como funcionaram os dois principais hospitais reais de então, o Hospital Real de Todos os Santos e o Hospital Real de Goa, e pôr em relevo a visão de governantes como D. João II, D. Manuel I e D. João III e dos seus conselheiros, que precocemente perceberam a necessidade de criar mecanismos de assistência sanitária que acompanhassem o esforço dos Descobrimentos. Por outro lado, dar um panorama do que foi a «medicina e a doença embarcada» e do sofrimento que isso significou para milhares de portugueses que tiveram a coragem de demandar as Índias, o Japão ou os Brasis. Por fim, descobrir e investigar de que forma participaram os médicos e os boticários na Expansão, e relatar as novas doenças existentes ou vindas das novas terras descobertas e em especial o impacte social de uma delas, a sífilis, a mais terrível de todas." (Da Introdução - Contra-capa)
 
 
Gosto de ler o que escrevem os médicos, sejam eles poetas, prosadores ou ensaístas, como é o caso de Germano de Sousa, que nos oferece este livro sobre a medicina portuguesa durante a expansão. São muitos os ensinamentos recolhidos: sobre a vida portuguesa dos séculos XV e XVI, sobre as vicissitudes das viagens e da vida além-mar, sobre os males de que padeciam a população e os mareantes, sobre a descoberta de novas plantas e de outros modos de aliviar o sofrimento, e também sobre as doenças trazidas do novo mundo, com destaque para a Sífilis. É interessante verificar que, ontem como hoje, duas das razões para a desgraça das gentes têm sido a ganância e a incompetência (amiúde resultado do nepotismo e da falta de organização).
É um livro que aprofunda as informações patenteadas na exposição "360º Ciência Descoberta", que contempla igualmente esta área do saber. Destaco, neste sentido, a referência a Garcia da Horta, insigne médico de Goa, autor do livro Coloquios dos Simples e Drogas he Cousas Medicinais da India, e assi Dalgumas Frutas Achadas Nella onde Se Tratam Algumas Cousas Tocantes a Medicina Pratica, e Outras Cousas Boas, pera Saber Compostos pelo Doutor Garcia Dorta: Físico del Rey Nosso Senhor, Vistos pelo Muyto Reverendo Senhr, ho Licenciado Alexos Diaz: Falcam Desembargador da Casa da Supricaçã Inquisidor Nestas Partes.
 

Tristitia


Sou o silêncio que ficou
uma cidade igual às outras
onde os gritos se esvaem
 e a tua morte se tornou minha.

Em tuas asas
quebradas
tudo se desintegra
menos a memória.

Ana Marques Gastão, Terra sem Mãe, Lisboa, Gótica, 2001.

domingo, 7 de abril de 2013

360º Ciência Descoberta

Outra exposição interessantíssima, a não perder. Está na Fundação Calouste Gulbenkian até 2 de Junho; surpreende, ensina, alegra (e de tanta alegria precisamos nestes dias de chumbo). Aqui fica o vídeo promocional, protoganizado pelo comissário desta mostra, Henrique Leitão.
 
 

sábado, 6 de abril de 2013

"a salvação de um ser humano é a alegria" (C.L.)

O sábado foi de sol, finalmente! Na Fundação Gulbenkian está patente uma exposição sobre Clarice Lispector muito interessante, tanto pelas informações, entrevista e excertos das várias obras da escritora, como pelo design, com especial destaque para as gavetas que nos deixam ver documentos escritos e fotografias de Clarice.
 
Do site da Fundação:
 

"Clarice Lispector - A hora da Estrela

Curadoria: Julia Peregrino e Ferreira Gullar

De 5 abr 2013 a 23 jun 2013 | 10:00 - 18:00 | Encerra às segundas

Galeria de exposições temporárias do Museu Gulbenkian

No ano em que passam 35 anos sobre a morte de Clarice Lispector, a Fundação Gulbenkian apresenta a exposição A hora da Estrela com textos, fac-símiles, fotografias e documentos pessoais de uma das mais destacadas vozes da literatura brasileira.

Esta exposição está integrada nas comemorações do Ano do Brasil em Portugal."

  
(do referido site)
 
 
Estas fotografias foram tiradas na segunda sala, a das gavetas com vários documentos. Ideia muito original:
 
 

 
 
 
 Do youtube, esta entrevista com a escritora, em 1977:

 


 

domingo, 31 de março de 2013

Por um grão de romã


Dante Gabriel Rossetti, Proserpine, 1874, Tate Gallery
 
Os mortais desesperam com este Inverno tão longo. Por que tarda Perséfone?
 
Diz a narrativa mítica que, após Hades ter raptado Cora, Deméter se recusou a ocupar o seu lugar no Olimpo e na ordem do mundo, a fim de carpir a sua dor e de procurar a sua amada filha, provocando, assim, um interminável Inverno, agreste e carente. Só a intervenção de Zeus apaziguou o desespero da deusa, prometendo-lhe a restituição da jovem, caso esta não tivesse provado qualquer alimento dos territórios infernais. Mas como resistir à tentação da sombra? Perséfone ingerira um grão de romã, o que para sempre a ligaria ao tenebroso mundo subterrâneo; seria restituída à luz e ao mundo florido da superficie, sim, mas só sazonalmente. Desta forma, Deméter teria de esperar o regresso da rainha dos Infernos a cada Primavera e, só nessa altura, libertaria as energias vitais necessárias à regeneração e reprodução da natureza e dos homens.
 
Este ano a espera parece infindável. O que retém a bela rainha? Dizem que se demora em inusitados preparos, que Hades hesita em deixá-la partir, dizem que outro deus a levou. Tantos dizeres, e a terra ansiando pela sua chegada vivificante!
 
 
(da internet, de autor desconhecido)
Dizem que esta é a deusa, em seu recato...


quinta-feira, 28 de março de 2013

Imagem

...

Palavras de negação, mas não de cobardia.
Nos seus olhos a aceitação triste;
dentro da casa, um corpo caído,
exangue.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Um poema de amor, e o quotidiano à espera



São horas de voltar. Tu já não vens, e a espera
gastou a luz de mais um dia. Agora, quem passar
trará um corpo incerto dentro do nevoeiro,
mas terá outro nome e outro perfume. Eu volto

à casa onde contigo se demorou o verão e arrumo
os livros, escondo as cartas, viro os retratos
para a mesa. Sei que o tempo se magoou de nós,
sei que não voltas, e ouço dizer que as aves
partem sempre assim, subitamente. Outras virão

em março, apago as luzes do quarto, nunca as mesmas.


Maria do Rosário Pedreira, A casa e o cheiro dos livros, Lisboa, Gótica, 2002.

segunda-feira, 25 de março de 2013

A política, em Portugal!

(...)

Já quase em desespero, Galvão Telles [Ministro da Educação] convida Ulisses Cortês [Ministro das Finanças] para um almoço a dois - num bom restaurante do Chiado - e defende de viva voz o seu projecto, com toda a verve e poder argumentativo de alguém que, além de professor de Direito, é um excelente advogado.
O seu colega das Finanças, já na sobremesa, diz-lhe que não é possível: a guerra do Ultramar é a prioridade da política financeira, e não se lhe pode cortar uma fatia tão importante.
Já durante o café, o Prof. Galvão Telles tem então a chamada «inspiração divina», e diz ao seu colega:
- Ó Ulisses, esqueça por uns instantes que somos Ministros. O que lhe peço é um gesto pessoal, de amigo a amigo. Faça-me lá esse favor!
Resposta imediata de Ulisses Cortês:
- Ó meu caro Amigo: mas isso muda o caso de figura. Se me põe o problema dessa forma, o seu projecto será imediatamente aprovado!
 
Parafraseando Júlio Dantas, como é diferente a política, em Portugal!
 
 
Diogo Freitas do Amaral, Ao correr da memória: Pequenas histórias da minha vida, Lisboa, Bertrand, 2003.
 
 
 
 
Aí está a biografia de Mário Soares, em 851 páginas, da autoria do jornalista Joaquim Vieira, da esfera dos livros (2013). Depois do ensaio autobiográfico do político português, algures pelas estantes familiares, é um bom livro para a compreensão da figura e da época histórica que viveu e marcou.
Da leitura de memórias, autobiografias, entrevistas, biografias ou outros textos deste género, constrói-se uma imagem de um tempo já passado muito interessante, em que sobressai a componente humana e, até, casual dos acontecimentos que ganharam lugar nos registos da História. Outro aspecto, para já evidente, em casos tão diversos como os de Adriano Moreira ou Mário Soares, por exemplo, para além da qualidade intelectual, é a importância das ligações pessoais para a acção política.
Pergunto: será mesmo essa a natureza da política ou é uma particularidade da situação portuguesa? Nas leituras em curso, ressalta uma certa coerência de classe, isto é, não obstante as diferenças ideológicas e as singulares histórias de vida, em que os vários protagonistas estiveram tantas vezes em lados opostos da barricada, parece evidenciar-se uma certa linguagem e maneiras que designaria como sendo próprias da classe média, ou melhor, da burguesia. As formas de tratamento, aquilo que se dizia e o modo como se dizia, o que se calava, as solidariedades estabelecidas, as incompreensões, as concepções de vida, as circunstâncias das amizades e dos contactos criados no liceu, na universidade e noutras instituições, até mesmo, em alguns casos, as referências, ou ausência delas, a figuras populares ou pequenos episódios vividos com as massas, todos estes aspectos parecem constituir sinais de uma certa identidade de classe.



domingo, 24 de março de 2013

leituras de domingo (os jornais)

  
 
Muito se lê nos jornais, ao domingo. Destaco a entrevista a Alberto Pimenta, no Jornal de Letras (20/03 a 02/04), grande poeta e clarividente, tanto no domínio do saber poético, como no diagnóstico dos tempos que correm:


 
 
"[O apoético, o não poético] É o prosaico, o quotidiano. É uma existência desprovida de pesquisa de si mesma, que vai acontecendo, sem levantar questões sobre esse acontecer. E quando se levantam essas questões, não é necessariamente poético."
 
" Mas parece-me que para a poesia uma das componentes fundamentais é a sensação de perda, ou melhor de incompletude, de falta de qualquer coisa, mesmo nos momentos mais esplendorosos. É a diferença entre sujeito e objeto, a incapacidade de fusão."
 
"Tenho uma consciência muito aguda de que, na sociedade humana, sempre houve dois grupos de pessoas: os poderosos e os outros, aqueles a que se pode chamar escravos ou trabalhadores."
 
"[...] estamos num momento histórico, porque é a primeira vez, na História da Humanidade, que há uma revolução dos ricos contra os pobres."
 
 
(Alberto Pimenta dixit)

quinta-feira, 21 de março de 2013

alguém para a matar em cada minuto da vida dela


Ontem foi o dia da Primavera, dizem, e a leitora que sempre acreditou que a estação se iniciava a 21 de Março, dia da Primavera e da Poesia!
 
Hoje, então, é o Dia da Poesia, mas nenhum livro de poemas foi lido ou folheado por ela. Em vez disso, Flannery O'Connor num café lisboeta. Lisboa estava formosa, como é da sua condição, especialmente com a luz primaveril que invadia a sala decorada ao gosto austríaco ou português ou simplesmente urbano. Os transeuntes flanavam pelas mesas, pelas ruas, nesta época repletas de turistas e de portugueses de vários estilos, eram anónimos e ela também. É gostoso o anonimato à mesa de um café citadino, sobre a qual esperam bandeja com bule e chávena e livros acabados de adquirir.
 
Porquê Flannery O'Connor? Porque a P. é sua leitora e referiu algumas vezes o seu gosto pelos contos desta escritora norte-americana e um livro seu estava em destaque na livraria - Um bom homem é difícil de encontrar. Só o primeiro conto, com o mesmo título, foi lido, mas, desde já, é evidente que é uma óptima escritora: a atenção ao detalhe, as comparações inesperadas, ao mesmo tempo suaves e demolidoras (veja-se, por exemplo, esta descrição da mãe: "uma mulher jovem de calças elegantes, cuja face era tão larga e inocente como uma couve, rodeada por um lenço verde com duas pontas atadas no alto da cabeça, como as orelhas de um coelho."), as relações familiares, banais e cruéis, o acaso fortuito que tudo destrói, inesperada e violentamente. É um conto aparentemente suave, centrado na avó manipuladora e tagarela, mas cheio de humor e de uma acutilância que chega a ser cruel, e, no final, a negação da bondade naquela figura do inadaptado, psicopata, cujos olhos, sem óculos, "eram pálidos e tinham uma expressão indefesa".
 
[Aqui, parênteses para aqueles que ouvem muitas vezes este vocabulário do campo semântico, agora lexical, do desgraçadinho: inadaptado, bom no fundo, especial, invulgar, etc. Este conto desmonta essa ideia que as pessoas nem boas nem más têm de que todos distinguem o bem do mal e que todos escolherão o bem, até os aparentemente maus, quando cairem em si; fá-lo oferecendo-nos uma personagem que se chamava a si mesma O Inadaptado, porque se esquecia dos seus crimes e não encontrava correspondência entre estes e os castigos que lhe aplicavam por causa deles. No final, depois da atrocidade cometida, diz, acerca da avó: "Teria sido uma boa mulher (...) se tivesse estado lá alguém para a matar em cada minuto da vida dela". Horrível, não é?]

Flannery O'Connor, Um bom homem é difícil de encontrar, Lisboa, Cavalo de Ferro, 2008 (tradução de Clara Pinto Correia).

quarta-feira, 20 de março de 2013