sexta-feira, 11 de julho de 2014
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Conselhos de D. Francisco Manuel de Melo
"Uma das cousas que mais assegurar podem a futura felicidade dos casados é a proporção do casamento. A desigualdade no sangue, nas idades, na fazenda causa contradição; a contradição, discórdia. E eis aqui os trabalhos por donde vem. Perde-se a paz e a vida é inferno.
Para a satisfação dos pais convém muito a proporção do sangue, para o proveito dos filhos a da fazenda, para o gosto dos casados a das idades. Não, porém, que seja preciso uma conformidade de dia por dia entre o marido e a mulher, mas que não seja excessiva a ventagem de um a outro. Deve ser esta ventagem, quando a haja, sempre a parte do marido, em tudo à mulher superior. E quando em tudo sejam iguais, essa é a suma felicidade do casamento.
Dizia um nosso grande cortesão, havia três castas de casamentos no mundo: casamento de Deus, casamento do Diabo, casamento da Morte; de Deus, o do mancebo com a moça; do Diabo, o da velha com o mancebo; da Morte, o da moça com o velho. Ele certo tinha razão, porque os casados moços podem viver com alegria; as velhas casadas com moços vivem em perpétua discórdia; os velhos casados com as moças apressam a morte, ora pelas desconfianças, ora pelas demasias." (p.46)
D. Francisco Manuel de Mello, Carta de Guia de Casados (5 de março de 1650), Vila do Conde, Quidnovi, 2011.
D. Francisco Manuel, durante a sua prisão na Torre Velha, escreve esta carta a um amigo, guiando-o e avisando-o em matéria de casamento (sobre a vida dos cônjuges, sobre as relações domésticas e em sociedade); demora-se, especialmente, na caracterização das mulheres, nos comportamentos reprováveis ou a incentivar, bem como no trato que devem receber dos seus esposos.
Deste texto não está ausente o machismo da época nem alguma misoginia, mas lê-se com divertimento, ou com certos reconhecimentos, porque nem tudo se perdeu no tempo.
terça-feira, 8 de julho de 2014
Assim dizia Inês
Inês: Vá-se muitieramá!
Que sempre disse e direi:
mãe, eu não me casarei
senão com homem discreto,
e assi vo-lo prometo
ou antes o leixarei.
Que seja homem mal feito,
feio, pobre, sem feição,
como tiver discrição,
não lhe quero mais proveito.
E saiba tanger viola,
e coma eu pão e cebola.
Siquer uma cantiguinha!
Discreto, feito em farinha,
porque isso me degola.
Que sempre disse e direi:
mãe, eu não me casarei
senão com homem discreto,
e assi vo-lo prometo
ou antes o leixarei.
Que seja homem mal feito,
feio, pobre, sem feição,
como tiver discrição,
não lhe quero mais proveito.
E saiba tanger viola,
e coma eu pão e cebola.
Siquer uma cantiguinha!
Discreto, feito em farinha,
porque isso me degola.
Gil Vicente, Farsa de Inês Pereira, Porto: Porto Editora, s.d. (estudo, análise, notas, vocabulário e questionários de Albano Monteiro Soares).
sexta-feira, 27 de junho de 2014
A língua portuguesa escrita já tem mais de 800 anos
Comemoram-se hoje os 800 anos do Testamento de D. Afonso II, escrito em português antigo, precisamente no dia 27 de Junho de 1214. Mas este não foi o primeiro documento oficial escrito em Português, esse foi uma Notícia de Fiadores, de 1175. Os documentos mais antigos escritos nesta nossa formosa língua são:
Notícia de Fiadores (1175) - notícia de fiadores, discriminando dívidas de Pelágio Romeu

Notícia do Torto (1211-1216, c. 1214?) - notícia das malfeitorias de que foi injustamente vítima Lourenço Fernandes da Cunha

Testamento de Afonso II (1214)

Ver: http://cvc.instituto-camoes.pt/tempolingua/07.html
terça-feira, 24 de junho de 2014
Máquina voadora
| Odilon Redon (1840-1916) L'Oeil, comme un ballon bizarre se dirige vers l'infini (Daqui) |
[Só a mim ninguém me leva... Tantas banalidades, e o Verão longe, longe.]
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Em Lisboa ouvem-se todas as línguas
Para DClem, ausente no paraíso
Está cada vez mais bela esta nossa cidade! Diversa, cheia de gente de várias proveniências, com as suas línguas, ritmos e cores. Moderniza-se, retoma universalidade.
Muitos dirigiam-se às margens do Tejo, convidativas, cada vez mais um espaço para os lisboetas e os seus visitantes.
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| Terreiro do Paço Praça do Comércio |
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| Cais das Colunas |
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| Ribeira das Naus |
E este barquito? O que é, de onde vem, para onde vai? Uma falua não é, e uma caravela não repousa assim...
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| "Trafaria Praia", de Joana Vasconcelos |
domingo, 15 de junho de 2014
Apetece o Mar
Carta ao Mar
Ó ondas fugitivas...
Camões
Largo Oceano, velho deus limoso,
Coração sempre lírico, choroso,
E terno visionário, meu amigo!
Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vai ter contigo,
- Nada é mais grande, nobre e doloroso,
Do que tu, - vasto e húmido jazigo!
Nada é mais triste, trágico e profundo!
Ninguém te vence ou te venceu no mundo!...
Mas também, quem te pôde consolar?!
Tu és Força, Arte, Amor, por excelência! –
E, contudo, ouve-o aqui, em confidência:
- A Música é mais triste inda que o Mar!
Gomes Leal, Antologia Poética: entre a diferença e o excesso, Lisboa, Rolim, col. Ilhas, s. d. (estudo e selecção de textos de Cecília Barreira).
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