segunda-feira, 20 de abril de 2015

"Intertextos 10" - Novo manual de Português



Ana Eustáquio, Gisela Peixoto, Paulo Simões Mendes.
Intertextos 10. Lisboa: Plátano Editora, 2015.

Alguns pontos fortes:

1. Criatividade, autonomia e partilha de conhecimentos.
2. Autoavaliação e avaliação formativa.
3. Níveis de aprendizagem diferenciados, trabalhados segundo uma ordem escalar de complexidade.
4. Coerência entre os vários componentes do projeto.
5. Seleção de textos criteriosa e coerente, com inúmeras ligações entre si, entre domínios, e a outras expressões artísticas e temas da atualidade.
6. Trabalho extenso e diversificado sobre os géneros formais do oral e da escrita, bem como sobre os domínios da leitura e da educação literária.
7. Propostas inovadoras de atividades criativas, em várias modalidades: antologia de poesia, trabalhos de grupo, criação de um Calepino... e muitas outras.
8. Anexos informativas e outros instrumentos de apoio ao estudo.
9. Orientações precisas para todas as obras do projeto de leitura.
10. Grafismo atrativo, motivador e adequado ao público-alvo.
11. Exploração pedagógica das tecnologias de informação e comunicação.
12. Rigor científico, conceptual, linguístico e gráfico.
13. Aprendizagem integrada, assente no papel ativo do aluno, combinando «reflexão e fruição».
14. Valorização das dimensões cultural, literária e linguística da língua portuguesa.

Em suma,

O projeto Intertextos 10

- Apresenta rigor científico, linguístico, conceptual e gráfico.
- Está plenamente de acordo com o Programa e as Metas Curriculares de Português do Ensino Secundário.
- Tem qualidade didático-pedagógica, sendo a informação, a organização e as imagens adequadas e adaptadas ao nível etário dos alunos.
- Não faz publicidade ou propaganda, nem veicula valores contrários àqueles que estão consagrados na Constituição.
- Promove a reutilização do manual.
- Tem um preço justo e um peso equilibrado.
- É um projeto completo e coerente que não requer "fotocópias futuras".

domingo, 12 de abril de 2015

Intertextos 10


Ana Eustáquio, Gisela Peixoto, Paulo Mendes.
Intertextos 10. Lisboa: Plátano, 2015.

Para C. / Dio., «desasado».




MAR

Bebo-o a colherinhas de olhos
na taça da manhã.
E nem ele se esgota,
nem eu me sacio.


Luísa Dacosta. A Maresia e o Sargaço dos Dias
(uma das epígrafes do manual)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Sexta-feira Santa

Niccollò dell' Arca. Pranto sobre Cristo Morto [pormenor]
(1463-1490)
DAQUI

Epitáfio

Querida vida,
pobre pó.
Tão pó a pó.
Após, a pó.

Luiza Neto Jorge. A Lume. Lisboa: Assírio e Alvim, 1989.

domingo, 15 de março de 2015

Caminhos novos

Chegou o sol, e com ele novos projetos. Inicia-se aqui o registo de uma nova etapa, que se quer soalheira. Portugal, a sua cultura, a sua língua, os seus lugares, tanta beleza!

(Évora)



 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

na morte de Luísa Dacosta

Luísa Dacosta (16/02/1927 - 15/02/2015)

Nestes dias, que fazer senão folhear a obra esplendorosa de Luísa Dacosta e ler?

[Sem título]
Desenho de Tiago Manuel
incluído no início de Um Olhar Naufragado: Diário II. 2008

[...] a Língua foi a última mitologia que habitei, descrente já dos mitos que me tinham habitado: o de Tristão e Isolda, o de Narciso, um Narciso que não se procurou na sua própria imagem, mas na do outro, o de Penélope, o de Ceres, e os que tinha criado para «A-Ver-o-Mar» e «Morrer a Ocidente» a partir dos nomes das praias e da sereiazinha da igreja de Rates, o de Amor e Morte, que criei para o prefácio de «Corpo Recusado». A Língua foi, por razões várias, a minha última mitologia, graças a raízes longínquas. [...]

Que maior mitologia do que a Língua?
Corriam-se colinas de ilusão e realidade com ela, capaz de nos permitir jogar ao chinclimpé com o tempo. Tão depressa na eternidade do ser, onde tudo é e nada passa - «Era um pássaro e era uma menina.» - como no desgaste de estar (ex) fora do paraíso, onde o tempo foge e se esgota. Mas ainda (tão amigo!) devagar, devagarinho, onde não se fazia, mas se podia prolongar a acção com a perifrástica e estar-se a fazer ou ir-se fazendo. Depois havia os verbos incoativos, que também travavam o passo ao desgaste do tempo, porque só davam o começo da acção, como um «amanhecer» de esperança. E ainda os frequentativos, os da continuidade, sem fim, como se não estivesse em causa a vida, mas duma torneira mal vedada se tratasse. Podia ainda prolongar-se o tempo do desgaste com aquelas palavras, longas, os advérbios de modo - tão minhamente queridas! - e que tão bem serviram o traço, impressionista, de Cesário: «amareladamente, os cães parecem lobos». Língua com uma concepção agostiniana do tempo, já que o presente era capaz de dar, embora com bracinho, curto, o passado próximo, e o futuro próximo e longínquo, como se o desejo os tornasse presentes na nossa mão. Quando se recuava para o passado, logo com o imperfeito, podia-se não apenas trazê-lo de volta, mas torná-lo presente, enquanto quiséssemos, visto que a acção se suspendia. Ou recuar ainda mais com o mais-que perfeito, que tanto lhe servira, já que se «sonhara», desde sempre. Oh! Língua amada que até o particípio passado, quando regular, não estava morto, mas englobava o tempo, durativo, da acção, já que «emurchecido» era muito mais expressivo do que «murcho»! Língua mítica, mítica, mítica!
Capaz de englobar o tu na respiração do desejo e torná-lo posse do eu na forma mesoclítica do futuro:

(eu) amar-te(tu)-ei(eu)

E esse futuro nem sequer era inalcançável já a Língua admite (e deve ser a única) a conjugação pessoal no infinito, por definição fora do espaço, do tempo e da circunstancialidade. Que haverá de mais mitológico? Do que amar e ser amada, na passagem do estar ao ser. Tristão e Isolda eram, afinal, possíveis! A Língua era a certeza de uma utopia, que a vida lhe tinha negado: uma amor durativo, de sempre e para sempre, liberto do desgaste do tempo e da circunstancialidade. [...]

Luísa Dacosta. Um Olhar Naufragado: Diário II. Alfragide: Asa, 2008.