quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Laços de família
Os escritores, de vez em quando, esboçam as suas "árvores bibliográficas", as suas genealogias literárias. Na Visão online (03.12.2015), foi a vez de António Lobo Antunes, em mais uma das suas belíssimas crónicas:
http://visao.sapo.pt/opiniao/opiniao_antonioloboantunes/2015-12-03-E-no-entanto-vendo.
Gosto muito destas indicações, de reconhecer ligações, laços de família entre textos, palavras, autores... Cheguei a iniciar uma lista dos nomes referidos por Luísa Dacosta, procurando seguir as vozes daqueles poetas e prosadores portugueses e o seu eco na maravilhosa obra da escritora.
Aqui fica o princípio desse colar de afetos: Fernão Lopes, Gil Vicente, Sá de Miranda, Luís de Camões, Fernão Mendes Pinto, Diogo do Couto, Samuel Usque, Frei Luís de Sousa, António Ferreira, António José da Silva, António Vieira, Nicolau Tolentino, Bocage, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, António Nobre, Camilo Pessanha, Raúl Brandão. Aquilino Ribeiro, Tomaz de Figueiredo, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Cassiano Ricardo, Irene Lisboa, Vitorino Nemésio, Sophia de Mello Breyner Andresen, Jorge de Sena, Saúl Dias, Renata Pallotini ... (cont)
A propósito da árvore bibliográfica que Pedro Mexia delineou para si, na revista Ler*, também esta leitora quis encontrar a sua:
http://amateriadoslivros.blogspot.pt/2013/01/arvore-bibliografica.html
*Pedro Mexia, "Ler é Maçada: Árvore bibliográfica", Ler, Janeiro de 2013.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
João Lobo Antunes
Ler os ensaios de João Lobo Antunes, um prazer e uma aprendizagem.
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| João Lobo Antunes, Ouvir com Outros Olhos, Lisboa, Gradiva, 2015. |
De todas as experiências que marcam a nossa jornada por este mundo, é a experiência da doença que nos ameaça a vida que grava incisão mais profunda na essência do que somos, na «fraternelle jointure» da alma e do corpo de que fala Montaigne. Não o faz com o gume de uma lâmina, mas como se um monstruoso insecto de múltiplos ferrões injectasse em nós, por cada um deles, um veneno diferente que ataca uma parte específica do todo.
João Lobo Antunes, "O consolo das Humanidades" In Ouvir com Outros Olhos, Lisboa, Gradiva, 2015, p. 35.
sábado, 21 de novembro de 2015
Lisboa, a Bela
sábado, 31 de outubro de 2015
Cemitério dos Prazeres
A próxima «Visita Guida» leva-nos ao Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, apresentado como um museu de arte funerária, a assinalar a importância dos rituais da morte, não só para os defuntos, como também para os vivos.
No próximo episódio vamos levá-lo a um "museu" inesperado.O Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, é um dos maiores (mais de 7000 jazigos) e o mais elitista dos cemitérios portugueses: de aristocratas a políticos, de heróis militares a artistas, grandes vultos da história do país estão ali sepultados. Consolidado em meados do séc. XIX, expoente do romantismo em Portugal, o Cemitério dos Prazeres é um repositório de escultura que hoje vale como museu. O historiador de arte Francisco Queiroz é o nosso guia nesta visita surpreendente.RTP2, 2ª feira, 2 novembro, pelas 23h; sábado, 7 novembro, pelas 19h40 (repetição)Antena 1, 5as feiras, pelas 21h10facebook.com/paulamourapinheiro
Posted by Visita Guiada on Sexta-feira, 30 de Outubro de 2015
Por coincidência, José Tolentino Mendonça, na sua crónica semanal no Expresso, reflete também sobre o funeral e o valor humano dos rituais devidos aos finados:
«No dia em que o mandamento de «sepultar dignamente os mortos» for removido dos deveres dos filhos, dos companheiros, dos irmãos, dos amigos e antecipado para as obrigações que cada um deve prever em relação a si mesmo, a nossa humanidade ficará irremediavelmente mais pobre.»
José Tolentino Mendonça, «Funeral em vida». Expresso: 31/10/2015
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Lamentação
O rei deitou-se e não tornará a erguer-se,
O senhor de Kullab não tornará a erguer-se;
Ele dominou o mal, não regressará;
Era forte de braço, mas não tornará a erguer-se;
Ele tinha sabedoria e atraente rosto, e não regressará;
Foi até à montanha, e não regressará;
No leito do destino está deitado, e não tornará a erguer-se,
Da cama de muitas cores não regressará.
O senhor de Kullab não tornará a erguer-se;
Ele dominou o mal, não regressará;
Era forte de braço, mas não tornará a erguer-se;
Ele tinha sabedoria e atraente rosto, e não regressará;
Foi até à montanha, e não regressará;
No leito do destino está deitado, e não tornará a erguer-se,
Da cama de muitas cores não regressará.
Gilgamesh. Lisboa: Vega, 2007.
Versão de Pedro Tamen.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
A propósito de "selfies" e autorrepresentação online
"Haverá melhor auto-retrato do que aquilo que se vai publicando, bom ou mau, muito ou pouco, já que escrever é sempre uma forma imprudente de identificação e autobiografia?"
Marcello Duarte Mathias . "Auto-retrato" In A Memória dos Outros: Ensaios e Crónicas. Lisboa: Gótica, 2001. p. 325.
Andava esta leitora a pensar em selfies, após leitura de uma publicação de V. G. no Facebook / no blogue Enfermaria 6, sem chegar a conclusões, até porque não pratica a "modalidade", quando é surpreendida pela última página do Jornal de Letras (05 a 18 de agosto de 2015). Aqui, na secção de "Diário", o escritor Mário Cláudio publica "16 entradas do Facebook"! Surpresa! Surpresa! Então a escrita na famosa rede social também pode ser vista como escrita diarística?
As relações entre o blogue e o diário há muito que são óbvias, como já se pensou nestas páginas, verificando-se mesmo a transformação de alguns blogues em livros, como acontece com outros diários clássicos que chegam às livrarias, todos com qualidade literária variável, digamos. Já a assunção das publicações rápidas no Facebook como "entradas" diarísticas parece menos óbvia, parece que lhe falta o trabalho de representação do Eu que se evidencia no diário ou em blogues tão conhecidos como, por exemplo, o ana de amesterdam, também ele já com um duplo em livro. De facto, o imediatismo e a brevidade da escrita nas redes sociais parecem contrários ao labor e ao rigor da escrita que busca conhecer e conhecer-se e... revelar-se através da representação desse Eu enigmático e movente que atrai e atormenta o diarista. Acresce que a massificação característica das redes sociais parece mais propícia à reflexão sociológica sobre as formas de comunicar do homem desenvolvido (tecnológico) do que à reflexão literária ou ontológica. Ainda mais que lhes falta tempo, i.e., nem as publicações requerem grandes demoras, bastando, por vezes, um mero clique, quando se trata de "partilhar" vídeos, fotografias ou "posts" alheios, nem a sua visualização permite atrasos, uma vez que são constantemente sobrepostas ou substituídas por outras; podem voltar, é certo, mas, nesse caso, vêm desprovidas de cronologia pois o tempo das redes sociais é o eterno presente, não obstante as tentativas da rede de lembrar o que o utilizador publicou "há cinco anos". O efémero e o perene entrelaçam-se desta maneira, anulando essa dimensão essencial do humano que é o tempo. Que Eu, então, se vislumbra? Um ser liberto do mal de Cronos ou um ser prisioneiro do presente sem fim nem princípio?
A estranheza das selfies e a dificuldade em entendê-las como sucedâneos do autorretrato resultam precisamente destas duas dimensões: a massificação e o imediatismo. A falta. Falta de quê? De tempo, claro. E da terrível face da Medusa. Mais do que de Narciso, arquétipo do sujeito autobiográfico ou do utilizador da rede, apaixonado pela sua belíssima imagem, admitindo que estas representações de si, tão iguais e repetitivas, sejam percorridas pelo amor, mesmo que louco. E o amor, não é feito de tempo e imaginação?
[E a leitora não conseguiu fugir ao juízo moral, pois não? Está mal.]
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