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| Rui Chafes, Burning in the forbidden sea, 2011 (Gulbenkian/CAM, 2014) |
Para ajudar à reflexão, deixo estas sábias palavras de José Tolentino Mendonça:
«Porque o sofrimento é uma estranha boca sem lábios, uma estranha língua sem palavras, um ininterrupto zumbido que se solta do próprio som, mas nunca mais nos solta. Invade-nos com o poderio e a frieza de uma colossal máquina de guerra. E abala tudo: das mínimas articulações do corpo às dobras imensas da alma.
Contudo, mesmo o sofrimento mais intolerável pede ainda para ser interpretado, e para sê-lo com a chave da vida. Desistir de escutá-lo até ao fim, e para lá do fim, é desistir de amparar a vida como ela é, na sua nua e vulnerabilíssima manifestação. É preferir uma qualquer idealização (ou fuga) que diz o que a vida deveria ser, como se fôssemos nós a decidir o que a vida é. E não somos. Pois quem pode, com verdade, considerar-se dono da vida? Não seremos antes guardadores, e apenas isso, apenas guardadores desse mistério que é maior do que nós?»
Contudo, mesmo o sofrimento mais intolerável pede ainda para ser interpretado, e para sê-lo com a chave da vida. Desistir de escutá-lo até ao fim, e para lá do fim, é desistir de amparar a vida como ela é, na sua nua e vulnerabilíssima manifestação. É preferir uma qualquer idealização (ou fuga) que diz o que a vida deveria ser, como se fôssemos nós a decidir o que a vida é. E não somos. Pois quem pode, com verdade, considerar-se dono da vida? Não seremos antes guardadores, e apenas isso, apenas guardadores desse mistério que é maior do que nós?»
José Tolentino Mendonça, «Que coisa são as coisa: Não matarás», Expresso: Única, 27/02/2016.





