Sempre atrasada, só agora consegui ler o primeiro número da revista Café com letras: revista de literatura (abril, 2016), surpreendente e oportuna publicação mensal. Estão de parabéns a sua diretora, Maria João Cantinho, e a equipa que com ela colabora. A revista não segue o Acordo Ortográfico de 1990.
Como o título e o subtítulo indicam, dedica-se às letras, à literatura, à crítica literária e à filosofia, incluindo nas suas páginas entrevistas, ensaios / recensões e crónicas. O «dossier» do mês de abril é dedicado à «Literatura portuguesa e resistência». De todos os textos, destaco o excelente ensaio de Vítor Viçoso, «Ler hoje o neo-realismo português» e a entrevista a Manuel Gusmão (por Maria João Cantinho e João Oliveira Duarte). Relevo desta última o carácter dialógico da poesia e a sua inscrição no mundo: «Nós nascemos como um diálogo, ou seja, a capacidade da linguagem é em nós inata, estamos preparados para a linguagem e, por isso, a linguagem faz-nos e, ao fazer-nos, nada impede que aquilo que eu faço seja partilhável. E, nesse aspecto, se nós existimos nesta dupla condição de esperados sobre esta terra e de preparados para uma linguagem, como diz Benjamin, está encontrado o quadro para pensar a relação da poesia com o mundo.».O número dois, de maio, já está nas bancas.






