Ao abrir o mail, deparei-me com a indicação de dois sites de divulgação de arte, que agora partilho:
Artsy
https://www.artsy.net/about
Georgia O'Keeffe
https://www.artsy.net/artist/georgia-okeeffe
A visita vale muito a pena!
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
domingo, 29 de janeiro de 2017
sábado, 28 de janeiro de 2017
Voz
ANJO ASSUMPTO
Chamar-Te é um sopro. O assobio
dos pássaros na enseada.
Baixa a colina agora e segue
o fio da minha voz. O azul do mar
assimila-nos a si. O Teu
nome vai perder-se no estuário
que nós víamos no cimo da
muralha. Desprezo o eco. Nada
Te chegará de tudo isto
que é o real. Ventos, sons, o mar,
a voz são uma mancha inconsis-
tente no único espaço que nos une.
Chamar-Te é um sopro. O assobio
dos pássaros na enseada.
Baixa a colina agora e segue
o fio da minha voz. O azul do mar
assimila-nos a si. O Teu
nome vai perder-se no estuário
que nós víamos no cimo da
muralha. Desprezo o eco. Nada
Te chegará de tudo isto
que é o real. Ventos, sons, o mar,
a voz são uma mancha inconsis-
tente no único espaço que nos une.
Fiama Hasse Pais Brandão, Obra Breve, Lisboa, Assírio e Alvim, 2006, p. 355.
domingo, 25 de dezembro de 2016
Noite de Natal
«Pai, dizem que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono – a ausência
não te apaga como a bruma
sossega, ao
entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos
um território suspenso de toda a dor,
um país de
verão aonde não chegam as guinadas da
morte e
todas as conchas da praia trazem pérola. Aí
nos
encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos
ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo,
quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que
se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que
envenene as palavras: pai, pai. Contam-me
depois que é
deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por
isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse
sonho. Não sabem
que o
pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome –
porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e
tu onde estás também não me respondes.»
| Um jeito manso |
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
O homem da cidade, camponês
"Na arrecadação das obras havia um telheiro e no telheiro um homem sentado à sombra, a comer. Esse homem, embora trabalhasse há muitos anos na cidade e a tivesse ajudado a construir, era no fundo um camponês. Tinha a pele escura dos cavadores de sol a sol e, como veremos, a voz demorada de quem foi criado longe de máquinas e confusões.
[...]
Comia lentamente, sem gosto, apenas para sustentar o corpo, e também nisso se parecia com os camponeses, que se alimentam, não comem. Um cavador mastigando em pleno descampado comeria decerto assim - com aquela mesma solidão; talhando à navalha na palma da mão, poupando o conduto, bebendo pela garrafa em goladas pensativas."
José Cardoso Pires, "O conto dos chineses" In O Burro-em-pé, Lisboa, D. Quixote, 1999.
Deste livro fazem parte cinco contos: "Os reis mandados", "O conto dos chineses", "Nós, aqui por entre o fumo", "Dinossauro excelentíssimo", e "Celeste e Làlinha: Por cima de toda a folha". A primeira edição é da Morais, de 1979, com ilustrações de Júlio Pomar; a segunda é da D. Quixote.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Outono e melancolia II
Edward Albee citado por Pedro Mexia na sua crónica do Expresso desta semana - "Fraco consolo: o tempo acontece", E - a revista do Expresso, 3/12/2016.
sábado, 3 de dezembro de 2016
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