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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Lições de Trevas

Fernando Guimarães, no seu livro intitulado precisamente Lições de Tarefas, define assim essas "licões":

"As lições de trevas ou lições de sexta-feira referem-se ao ofício nocturno ou cerimónia litúrgica dos últimos dias da Semana Santa. No século XVII surgem algumas obras musicais que lhes são destinadas; como era então dito, procurava-se ir ao encontro de uma «santa e salutar tristeza»."

Desse livro, selecciono este poema adequado à época:


ÚLTIMO REQUIEM

Onde fica guardado o tempo? Posso agora dizer
que é dentro dos olhos. Mesmo que se conservem assim límpidos
acabam por pousar neles algmas folhas. Desejaria
que fosse mais fácil este caminho onde se encontra
o vestígio de outros passos, uma voz quase extinta. Sei
como o repouso é menos que uma palavra. Dali vemos
as mesmas ondas que se julgava estarem há muito esquecidas,
a neblina parece ser um arco onde se reune
este pressentimento que vinha ao nosso encontro
sem o sabermos. Reservo alguns instantes para a pofundidade
da água; outros para o modo como estremecem as mãos.


Fernando Guimarães, Lições de Trevas, Vila Nova de Famalicão, Quasi, 2002. 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Diário de Maria Amélia IV

Hoje, sem palavras de sua lavra, traz uma imagem e um poema sugestivos, encontrados por aí, nos caminhos evasivos. No seu espírito, apenas uma pergunta: Como foi possível chegarmos aqui?




Errata

Onde se lê Deus deve ler-se morte.
Onde se lê poesia deve ler-se nada.
Onde se lê literatura deve ler-se o quê?
Onde se lê eu deve ler-se morte.

Onde se lê amor deve ler-se Inês.
Onde se lê gato deve ler-se Barnabé.
Onde se lê amizade deve ler-se amizade.

Onde se lê taberna deve ler-se salvação.
Onde se lê taberna deve ler-se perdição.
Onde se lê mundo deve ler-se tirem-me daqui.

Onde se lê Manuel de Freitas deve ser
com certeza um sítio muito triste.


Manuel de Freitas, A última porta

quarta-feira, 7 de março de 2012

"Sentada no seu último lugar deste mundo"

"Sentada no seu último lugar deste mundo, ela, cada vez mais invertebrada e esquecida, pensou Samarcanda."

internet [?]

(A citação é de Maria Judite de Carvalho, "Aeroporto" in Além do Quadro, Lisboa, Projornal, 1983. - Maria Judite de Carvalho, ou a tragédia do quotidiano, "latente triste".)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Nostalgia

Agora mesmo, pela blogosfera, Alpabiblio, D. e a A. A. Ela também chegou em 96/97, e foi amor à primeira vista. Tudo ficou no seu coração, os Meninos, os Mestres, as paredes, um "ar" de liberdade. Veio embora em Julho de 98, mas uma parte de si ficou; ou a memória permaneceu indelével, em todos os novos lugares.

Não pode, contudo, evocar a A. A., sem mencionar também a L. de G., a primeira escola "a sério". Tinha 24 anos, estava em ano probatório, e, pela primeira vez, sozinha. Ela só, com 150 alunos, dois níveis, num ambiente relativamente formal, aparentando o corpo docente uma média de idades de 45 a 50 anos, tão diferentes da sua inocência. Mas a timidez e o constrangimento duraram apenas um instante e esta ficou como a escola inicial, aquela em que para sempre se reconheceu como um certo tipo de professora, qual não sabe bem. Com os Meninos que lá conheceu, partilhou o seu amor pela poesia e a sua crença de que a arte salva; era considerada "exigente", "simples e cândida", "alegre", pasme-se!; trabalhava 14 horas por dia, e ao fim-de-semana, tinha depressões de cada vez que corrigia testes, arrepiava-se sempre que a sintaxe lhe aparecia em contorcionismos. Queixava-se. Os Meninos gostavam dela e ela gostava deles. Acreditava e era feliz.

Eis uma breve resenha dos seus amores docentes. Não guardou retratos; deitou fora as fichas, aquando das grandes mudanças. (Nunca mais guardou nenhuma, até porque passaram de moda, substituídas por grelhas excel.)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Infidelidades e Compensações

Corpo Recusado, de Luísa Dacosta é um livro belíssimo e terrível. Conta uma história de amor e morte, sob a égide de Tistão e Isolda. Não haverá demoras na descrição desta obra, apenas se dirá que a perpectiva é a de um sujeito feminino, que se olha num espelho múltiplo, cuja superfície reflecte rostos de muitas mulheres. Aqui se apresentam dois excertos do conto "Infidelidades, pulseiras e agências de viagens", que deixam perceber duas formas de "integrar" a traição de "maridos respeitáveis":




"__ ... Compreende-se, depois de todo aquele escândalo, a pobre senhora precisava de se refazer... nada mais justo. Sofreu muito, sim porque tudo transpira e se sabe, são coisas que custam muito a uma mulher séria e então para a compensar, para a ajudar ao perdão, o querido amigo teve este gesto... Soube com certeza que ele já de outra vez, e tinha sido uma aventurazinha sem importância, a levou a Fátima. Mas agora o casamento esteve por um triz e todo o bicho careta vai a Fátima, impunha-se o estrangeiro. Nada mais justo, nada mais justo. Uma bela viagem com estadia em Londres e Paris... Enfim, umas segundas núpcias! Entendo que o querido amigo fez o que devia, tanto mais que é uma reparação que lhe sai em conta. Ah! Não sabia que ele tem facilidades numa agência de viagens?! Pois tem, pois tem, nem de outra maneira podia ser, mas isso não importa, o que importa é o gesto, não acha?" (p. 74)

"[...] No fim da vida, gorda e flácida, era uma montra recheada de pérolas, brilhantes, safirazinhas, rubis, esmeraldas. Não, topázios, não, pois era supersticiosa e davam azar, conforme lhe assegurava a mulher de virtude que a dirigia. As infidelidades do marido encastoadas em ouro de lei ou platina, adornavam-lhe a papada, cobriam-lhe o peito farto e imponente, cingiam-lhe (o doce aperto!) os braços roliços e os dedos papudos. D. Quinhas exibia-as com brio, como medalhas ganhas em combate. Que desforra sair-lhe mais cara do que as amantes!" (p. 75).


Luísa Dacosta, Corpo Recusado, Porto, Figueirinhas, 1984.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

"A veia no pulso (e o vidro que não corta)"


Mozart, Requiem


(O texto que segue estava guardado na gaveta das recordações; veio a lume por causa do título da entrada de hoje do blogue Ana Vidigal. Magnífico título. E por causa desse homem que tem povoado as páginas de Um jeito manso. Um homem sedutor, daqueles homens elegantes, confiantes e gentis que agradam às mulheres, sejam elas advogadas, sofisticadas esposas, economistas, tresmalhadas professoras, jovens médicas ou ___________ poetisas. 
Foi precisamente uma oficiante da palavra que confiou à leitora algumas páginas do diário de uma paixão, convertida em ausência e pranto.)



Cristal de Murano

Um excerto de diário confiado às amigas:

[...]

Héstia e Perséfone, duas deusas que dizem de mim. Onde o homem que as olhasse, as reconhecesse, as desabrochasse? Encontrei-o, na casa da fantasia. Tenho tanta pena de que não seja real! Quero tanto a sua existência que me é quase impossível acreditar que não me possa ser abraço, corpo, amante! É só ausência, falta. Bati à sua porta, disse-me que não; vim para casa com o seu retrato. Ainda o conservo nas mãos. Vejo-o nas paredes, no ar... As minhas mãos cresceram; são azuis e grossas as artérias...
Sufoco. O desejo estrangula-me. O sangue na garganta. Asfixia. Como socorrer-me? Enrolo-me na terra ensanguentada, contorço-me; guinchos, balidos, nenhuma palavra para cobrir a nudez...

Morrer pode ser real.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Já o mar dá ramagens, e as dunas flores




O tempo passa, leva-nos com ele, e ficamos, mais sós, mais despojados, mais tristes. Calam-se os risos, partem aqueles que acreditávamos serem para sempre. Anoitece. Despede-se o dia, despedimo-nos nós da idade de acreditar. O sal das lágrimas já não se transforma em cristais de luz, é sempre e só sal branco, grão branco para nenhuns lábios cariciosos, sal de cozinha, e nada mais.
O que resta? As conversas à superfície do viver, minutos sem fim centrados em amenidades: gadgets, tarefas, pequenos acidentes do quotidiano, prazo de validade de todos nós, das mulheres em particular. Contrariamente ao que aparentam, estes circunlóquios não são vazios, são, ao invés, reverberações do medo e da resistência a Cronos. O mal do tempo procura mascarar-se, sair de si, transmudar-se em matéria controlável. Não será uma forma justa nem bela; será uma ilusão que percorre caminhos paralelos à busca de transcendência, quem sabe?, mas sem grandeza. Tantos caminhos, tantas vias, tantas veredas. Como escolher?
Ou, como não escolher? Apetece afastar os olhos do alto e da sempre valorizada pureza das essências, da procura da verdade e do certo, para contemplar o mar. Mais do que isso, apetece aproximar a cabeça da areia e ouvir a voz do profundo e do vasto, e deixar que se manifeste o antídoto para o veneno dos dias imparáveis.  Deste modo, se reverteria a malignidade da cronologia, no sentido destas palavras de Gilbert Durand:

“L’antidote du temps ne sera plus recherché au niveau surhumain de la transcendance et de la pureté des essences mais dans la rassurante et chaude intimité de la substance ou dans les constances rythmiques qui scandent phénomènes et accidents.” (G.D., Les Structues Anthropologiques de l'Imaginaire, Paris, Dunod, 1992.)

Da citação, destaco estas ideias: intimidade, substância, ritmo. De que modo as podemos encontar na nossa vida? Na partilha humana possível em cada jornada? Na rasura de velhas dicotomias, como aquela que separa espírito e matéria? Na atenção à língua que subjaz aos dizeres quotidianos, constituída por palavras leves, por palavras duras ou, menos que palavras, por balidos, guinchos, ritmo só? Não sei. Sei apenas que não estamos condenados ao furor, ao mal e à violência, à desarmonia. A vida floresce em toda a parte (quase), basta que a nossa imaginação não seque. E que os nossos lábios se abram num sorriso franco. E os nossos braços à dança, à beira-mar, mar adentro, onde calhar. Alma e corpo reunidos num ritmo amoroso: ondulação marinha, brisa da montanha, esvoaçar de vestidos de semana e domingueiros. E, claro, a correnteza das horas ficará muito melhor se matizada a eyeliner, bâton, blush, sombras diversas, verniz encarnado, rendada parure, e o mais que a criatividade encontrar. O prazo de validade é o limite da imaginação e da capacidade de criar máscaras. Afinal (não era Rilke que o dizia?), envelhecemos quando perdemos a capacidade de nos reinventarmos, a nós e aos outros, e não quando certas convenções o determinam. Quem diz que temos de ir ao laranjal às laranjas ou ao vale aos lírios? Porque não ao mar e às dunas? Já a cantiga popular no-lo ensina e a literatura erudita confirma: as separações e fronteiras têm a medida que as palavras mágicas quiserem...

(O vídeo encontrava-se ali, em Um Jeito Manso)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Tu

Lendo Luísa Dacosta...


APELO

Atravessa os campos da noite
e vem.

A minha pele
ainda cálida de sol
te será margem.

Nas fontes, vivas,
do meu corpo
saciarás a tua sede.

Os ramos dos meus braços
serão sombra rumorejante
ao teu sono, exausto.

Atravessa os campos da noite
e vem.


ROSTO

Nunca vieste
quando o desejo
fazia um entalhe de sofrimento e apelo
na polpa, madura, do dia.

Nunca vieste
quando um golpe de luar
abria ao lado do meu corpo
um lençol, fresco, para acolher-te.

A tua boca não prendeu
a flor dos meus lábios.
Nunca calei no teu beijo
a indizível palavra.

Nunca vieste.

Respirei-te no sonho.
A morte terá o teu rosto desconhecido.



Luísa Dacosta, A Maresia e o Sargaço dos Dias, Porto, Asa, 2002.

sábado, 10 de dezembro de 2011

out of Elsinore


Odilon Redon, Ophelie



"Queen: There is a willow grows askant the brook,
That shows his hoar leaves in the glassy stream,
Therewith fantastic garlands did she make
Of crow-flowers, nettles, daisies, and long purples
That liberal shepherds give a grosser name,
But our cold maids do dead men's fingers call them,
There on the pendent boughs her crownet weeds
Clamb'ring to hang, an envious sliver broke,
When down her weedy trophies and herself
Fell in the weeping brook. Her clothes spread wide,
And mermaid-like awhile they bore her up,
Which time she chanted snatches of old lauds,
As one incapable of her own distress,
Or like a creature native and indued
Unto that element. But long it could not be
Till that her garments, heavy with their drink,
Pulled the poor wretch from her melodious lay
To muddy death."


William Shakespeare, Hamlet: The Tragedy of Hamlet, Pince of Denmark, Cambridge, Cambridge University Press, 1980 (ed. John Dover Wilson).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ondas revoltas

Arrumando esquecidas gavetas, eis que se encontra este belo texto, uma entrada de um antigo diário (2006):


Há muitos anos, M. ...

 As ondas revoltas, Op. 46, Nº 1

Nicolai Rimsky-Korsakov

Texto de Alexei Tolstoi

 
As ondas revoltas rebentam tão alto. Os meus olhos ardem com a sua espuma salgada. Sentado, sozinho na praia selvagem e rochosa, sinto voltar toda a minha coragem. As ondas, no seu penoso fluxo e refluxo, as suas cristas correndo e espumando tempestuosamente. Oh! Oceano, terei que suportar sempre a derrota? Ou alcançarei a felicidade?
O meu coração parece pressenti-lo. A vida é tão bela e toda a minha dor foi por vós, ondas, afastada. A vossa paixão tempestuosa fundiu-se com a minha. Amanhã encontrarei o meu amor.
 
...

[Do registo musical não há vestígio; nem na internet se encontrou uma versão grátis. Alguém tem por aí, à mão, um link para que possa completar esta lembrança?]

Generosa oferta de -pirata-vermelho-, estas duas ligações:

- Youtube


- Classical Archives.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Dispo-me e vou dormir lá fora com as aves.

Chegou a casa acompanhada de um tom desarmonioso. A crise lá fora, o desconforto dentro da sua alma, um gosto amargo a quotidiano a rasgar a boca. Mas, felizmente, há palavras que oferecem bálsamos - as sugestões e partilhas de Um jeito manso, a vivência da poesia, alma e corpo, duas faces da mesma vida.

Foi assim que se lembrou de Maria do Rosário Pedreira e das mais belas palavras: casa, livros, perfume, amante, silêncio, noite, aves, corpo, genciana, flor de laranjeira, o teu nome suave, voo...


A Clean Miss
(imagem retirada de aqui)



Contam que as sombras permanecem agora mais tempo sobre
as dunas e que a flor de laranjeira rebentou pelos caminhos,
encantando as viagens; que os morangos crescem, se os dedos
se aproximam, e que já se ouve, ao longe, um rumor de asas
contrário a qualquer vento. Falam de um perfume estranho
que paira pela cidade e das palavras soltas que os rapazes
andaram a escrever pelos muros em segredo. E eu não sei nada

disto que me contam, nem me aquece a luz quente que,
como dizem, afaga de manhã os ombros de quem passa e vai
a outro lugar sentir o mesmo lume. E eu também já não sinto

a primavera: os dedos doem-me nos livros, sento-me de noite
à janela. Olho a lua que já não posso ter. Escondo-me
dos gatos. Dispo-me e vou dormir lá fora com as aves.


Maria do Rosário Pedreira, A Casa e o Cheiro dos Livros, Lisboa, Gótica, 2002.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Jogos de lágrimas e neurastenia

Leituras de Manuel Laranjeira (1877-1912):

"1908
1ª Agenda

[...]

Terça, 18 de Agosto

A Augusta também tem a suas horas de desfalecimento e tédio. Hoje - seria impressão minha apenas? - falou-me como se fala a um estranho, a alguém que nos não compreende.
Isso amargou-me. Não pude conter-me e disse-lhe: - Augusta, não mates este amor. Deixa-o morrer...
Começou a suster as lágrimas, a sustê-las, a sustê-las, e rompeu a soluçar despedaçadamente. Saí e fui deitar-me encolhido, a sofrer, a sofrer geladamente...

[...]

Terça, 6 de Outubro

Chego a casa da Augusta muito tarde. Está acordada e a chorar...
- Por que choras?
- Tu vingas-te tão secamente, tão cruelmente!
- Vingo-me!
- Pois não estás zangado comigo?
- Eu não!
Afago-a muito: ela aperta-me muito, num choro nervoso, convulso, como querendo impregnar-me o corpo, a carne de carinho... E eu pergunto a mim mesmo, maravilhado, se não estarei em face duma criatura rara, daquelas que só desejam viver a vida com um pedaço de pão e muitas ilusões..."


Manuel Laranjeira, "Diário Íntimo", in Obras de Manuel Laranjeira, vol. I, Porto, Edições Asa, 1993 (organização, prefácio e notas introdutórias de José Carlos Seabra Pereira). 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

o melhor, enfim

Porque o melhor, enfim,
É não ouvir nem ver...
Passarem sobre mim
E nada me doer!

[...]

Passar o estio, o outono,
A poda, a cava, e a redra,
E eu dormindo um sono
Debaixo duma pedra.

[...]

E eu sob a terra firme,
Compacta, recalcada,
Muito quietinho. A rir-me
De não me doer nada.

Camilo Pessanha, Clepsydra, Lisboa, Relógio d'Água, 1995 (edição crítica de Paulo Franchetti).

domingo, 18 de setembro de 2011

da condição humana

A propósito de uma dita polémica à volta de As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, recorda-se aqui o filme (Fassbinder, 1972) e uma exposição (Filipa César, 2010, no Museu Berardo) em que se reproduziam imagens do texto traduzido e dos cortes da censura. Filme polémico e de reservada recepção, para alguns, filme inquietante sobre a condição humana, a perda, o (des)amor, a solidão e a incomunicabilidade, a condição humana no feminino. Eis algumas imagens da exposição BES Photo 2010, na qual a artista Filipa César participou com um trabalho muitíssimo interessante ("Castro Marim, um lugar de degredo"), que ficou em primeiro lugar, - a condição humana, da Alemanha a Portugal:



Filipa César, Castro Marim, um lugar de degredo