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sábado, 26 de janeiro de 2013

A Terceira Miséria

 Hélia Correia, no programa Ler mais, ler melhor, sobre o seu livro A Terceira Miséria.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Doença


"Este relato comoveu Rossetti. Troçou de Lizzie e ela sorriu para o chão. Revelava os primeiros sintomas da doença, a paixão pela arte."


Hélia Correia, Adoecer, Lisboa, Relógio d'Água, 2010.
 


sábado, 6 de outubro de 2012

Adoecer


Início da leitura de Adoecer, de Hélia Correia. Um deslumbramento.

"Gravaram os seus nomes num dos troncos. Porém a casca, resistindo, não deixou que as letras se inscrevessem limpidamente. Ficou um sofrimento vegetal, uma ferida a escorrer sobre um  borrão. Eles não repararam. Estavam antes de todos os sinais do romantismo, antes de toda a construção mental. O lodo cintilava-lhes nos fatos como cintilam coisas funerárias. Mas esses dados da melancolia não encontravam quem os entendesse. [...]"
 
 
Hélia Correia, Adoecer, Lisboa, Relógio d'Água, 2010.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Leitura de segunda-feira

"Lilias não podia suspeitar de que a brutalidade com que o corpo estremecia à presença do patrão tinha por causa a comoção erótica. Julgou que o receava. E esse receio era de tal maneira sedutor que o decurso dos dias começou a regular-se pela sua espera. Conhecia-lhe os passos muito ao longe, com percepções agudas de animal. Sentia-se febril e tiritava, puxando um grande xale contra o peito. Viciou-se depressa no mal-estar. A voz, o cheiro, o caminhar de Jayme desordenavam-lhe o pulsar do sangue. Não lhe chamava amor, mas percebia que se virava inteiramente para ele, como há flores que se viram para o sol e mais não fazem que o acompanhar."


Hélia Correia, "Lilias Fraser" in António Mega Ferreira, org., O Erotismo na ficção portuguesa do séulo XX, Lisboa, Texto Editores, 2005.