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terça-feira, 25 de outubro de 2011

pequeno salto sentimental

Irene Lisboa

O poema de abertura de Um dia e outro dia... - Diário de uma mulher:

A água dos rios
costuma correr
tranquila e monotonamente.
Os dias da nossa vida
assim correm também.
Lá vem hoje,
e lá vem daqui a tempos,
um pequeno salto sentimental
que os perturba.
Mas a igualdade do seu curso
e a do curso dos rios
refaz-se sempre, teimosamente...
Como poderá um diário
deixar de ser monótono,
corrente
e vulgar?

Irene Lisboa, Um dia e outro dia.../Outono havias de vir - Poesia I, Lisboa, Presença, 1991.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Renovescer*

(* Este verbo, encontrou-o algures num livro. Os dicionários consultados não o incluem. Não se reencontra a fonte, mas fica pela sua expressividade e sonoridade.)



Nova, nova, nova, nova!

Não era a minha alma que eu queria ter.
Esta alma já feita, com seu toque de sofrimento
e de resignação, sem pureza nem afoiteza.
Queria ter uma alma nova.
Decidida, capaz de tudo ousar.
Nunca esta que tanto conheço, compassiva, tortu-
rada, de trazer por casa.
A alma que eu queria e devia ter...
Era uma alma asselvajada, impoluta, nova, nova,
nova, nova!

Irene Lisboa, Poesia I: Um dia e outro dia... e Outono havias de vir, Lisboa, Editorial Presença, 1991.